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A transformação do ser humano pela educação

simone abate

Nesta entrevista, Simone Abate conta sua jornada de autoconhecimento como profissional, mãe e livre pensadora espiritualizada

Simone Abate foi aluna do Círculo antes mesmo dele existir formalmente. Hoje, ela atua na escola como consultora pedagógica e professora, mas seu caminho até aqui mostra que o autoconhecimento e a educação são chaves para a felicidade. Conheça um pouco da trajetória da mãe do Lucca, que ama educação, psicologia, dançar, estudar… E se precisar de inputs para para suas ideias e projetos, chama ela também!      

CÍRCULO – Quem é a Simone Abate?

Simone – Formada em Letras, especializada em tradução, e agora me graduando em Psicologia. Mãe do Lucca, 6 anos. Apaixonada por aprender, dançar, desenhar – e pelo Fernando Pessoa. Amo pessoas, suas histórias, trajetórias, seus sonhos e singularidades. Meu lema é “se for fazer algo, farei da melhor forma que puder”. 

CÍRCULO – Como começou sua história com o Círculo?

Simone – Um pouco antes do Círculo ser fundado, conheci o canal do Juliano Pozati e tive uma identificação imediata com suas idéias e modo de pensar. Casou perfeitamente com a vontade que eu tinha de exercer a espiritualidade e a preguiça que eu tinha de religiões ortodoxas. O Círculo veio com essa proposta de espiritualidade livre e prática, pautada na contribuição técnica e objetiva para a construção de um mundo bem melhor para todos. 

CÍRCULO – Por que o caminho da psicologia depois de 20 anos no mundo corporativo?

Simone – Eu percebi, através dessa jornada de autoconhecimento, que minhas escolhas haviam sido pautadas por um referencial externo, a partir daquilo que os outros esperavam de mim, daquilo que os outros entendiam como sucesso. Ao me conhecer melhor, notei que meu interesse mais natural era sobre pessoas e seus sentimentos, suas alegrias, suas dificuldades. Observei em mim uma facilidade para entender a maneira de ser e de sentir de pessoas ao meu redor. Notei que meu único interesse no antigo ambiente de trabalho era o de observar estados emocionais e a interação entre os indivíduos! (risos) 

“A Psicologia, ao meu ver, não é apenas desejar ajudar o outro. Além disso, é buscar desenvolver um respeito ao fluxo da vida e uma fé inabalável na capacidade do outro de dar conta da história que tem para contar”. 

CÍRCULO –  Conte um pouco de sua transição de carreira e como ela está se desenvolvendo.

Simone –  Eu gosto de planejar. Não fiz nenhuma loucura, nenhuma guinada brusca. Eu fiz as contas, cheguei a um valor que precisaria ter para que pudesse ficar cinco anos sem trabalhar, até me formar. Calculei quanto tempo precisaria para juntar o que precisava e fui diminuindo os gastos. Em 2018, consegui encerrar a carreira anterior para me dedicar a estudar Psicologia. 

Desde então, eu concilio os temas de estudo com o trabalho no Círculo, então utilizo o estudo e os cursos tanto para a faculdade quanto para o trabalho, e isso otimiza bastante o tempo. Posso dizer que a maior dificuldade da transição foi tomar a decisão e criar coragem para o primeiro passo! rsrsrs

simone abate

CÍRCULO – Inteligência Emocional é o tema de aulas abertas suas no Círculo. Na sua avaliação, por que o mercado corporativo está descobrindo a Inteligência Emocional?

Simone – Acredito que as recentes descobertas da Neurociência e da Ciência Psicológica tornaram inegáveis alguns conceitos que tínhamos de maneira equivocada. 

A tensão diminui nossa capacidade cognitiva para resolução de problemas. O estresse emocional intenso e descontrolado silencia a nossa criatividade. O confronto e a agressividade diminuem a autoestima e a automotivação, que por sua vez diminuem a capacidade de gerir projetos de longo prazo. E essas são habilidades que podemos aproveitar muito para o trabalho, daí a importância de aprendermos a regular nossas emoções. 

Grosserias e comportamentos socialmente inaceitáveis não podem mais ser vistos com um olhar determinista, pois hoje em dia já sabemos que a Inteligência Emocional não é inata, e sim passível de ser aprendida por qualquer indivíduo. Acho que um grande incentivo para ser um tema em alta no mundo corporativo são as pesquisas que apontam a correlação entre resultado financeiro melhor e um ambiente saudável e empático. 

CÍRCULO –  Quais mudanças observa em sua vida a partir da exoconsciência como ferramenta em todas as áreas?

Simone – Quando a gente muda a perspectiva em relação à vida, ressignificamos nossos velhos padrões de percepção. Passar a enxergar os acontecimentos e as pessoas com quem me relaciono a partir de outro ponto de vista foi uma mudança que considero ser a “chave” das outras. Quando entendemos a vida de outra forma – a partir da visão simbólica, síncrona, sistêmica, hermética – criamos novos repertórios de pensar, sentir e agir, e isso tem beneficiado minha vida profissional, meus relacionamentos, meu mundo interior. Eu me sinto muito mais estável emocionalmente para responder aos desafios da vida. 

O desenvolvimento mediúnico também foi intenso, um divisor de águas. Eu pude fazer as pazes com este lado meu que estava renegado há muito tempo. 

“Quando a gente muda a perspectiva em relação à vida, ressignificamos nossos velhos padrões de percepção. Passar a enxergar os acontecimentos e as pessoas com quem me relaciono a partir de outro ponto de vista foi uma mudança que considero ser a “chave” das outras”. 

CÍRCULO – Como a exoconsciência tem ajudado você na maternidade?

Simone – Eu acho que não nascemos sabendo ser pais, deveríamos aprender mais sobre as consequências e os efeitos de nossas palavras e atitudes em nossos filhos. A exoconsciência me trouxe um senso de responsabilidade maior, e a busca por conhecimento se tornou rotineira para mim. Portanto, busco conhecimento e autoconhecimento para fazer o melhor para meu filho, mas também entendo que é impossível que seres imperfeitos criem outro ser com perfeição. Nós focamos a educação na colaboração, e focamos a interação no amor e humanidade. Todos são respeitados, cada um tem o seu lugar na ordem. 

Acho que o efeito objetivo da exoconsciência é o senso de responsabilidade pelas nossas ações. Obviamente, sem perder de vista a ideia de que a perfeição é um ideal inalcançável, e de que a vida tem seus altos e baixos, seus momentos difíceis. Se idealizar um conto de fadas, as expectativas exageradas vão causar mais do que frustração, traz insegurança e sofrimento. 

“A felicidade e o bem-estar na verdade estão em coisas mais simples do que imaginamos, porque estão diretamente ligados ao essencial”.

CÍRCULO –  O que é ser uma livre pensadora espiritualizada? Sua relação com Deus mudou depois disso?

Simone – Para mim, ser uma livre pensadora é a espiritualidade que se expressa por atitudes que visem ao bem estar próprio, do outro e do meio. Entendo que não adianta rezar ou ir ao templo se no dia a dia não estamos agindo com coerência aos valores que enunciamos. 

E esses valores estão mais ligados a lidar com a realidade da vida e aceitá-la como ela é. Mas aceitar não é permanecer passivo diante dos acontecimentos, é reconhecer nossos limites diante de situações inevitáveis da vida, encarar a realidade e seguir em frente. 

“Eu acredito muito na mudança do ser humano a partir da educação. Precisamos aprender a nos conhecer, a nos relacionar, a desenvolver pensamento crítico, a colaborar para o bem coletivo”.

CÍRCULO – Você ministra um curso sobre Técnicas de Estudo aqui no Círculo, como isso surgiu na sua vida?

Simone – Eu sempre gostei de estudar e na faculdade de Letras aprendi algumas técnicas que facilitam a aprendizagem e memorização. Como eu tinha bastante dificuldade em apreender conteúdo, comecei a aplicar a técnica e percebi uma diferença enorme, tanto na produtividade para estudar quanto na percepção sobre minha própria capacidade. 

A ideia foi trazer um conteúdo que ajudasse os alunos a ampliarem sua base teórica para o debate de ideias, para treino de argumentação e desenvolvimento do pensamento crítico.  Mas, o principal deste curso é o treinamento mental, pois estudar é um exercício que aumenta a destreza, melhora a atenção e a concentração. É um hábito saudável e útil. 

O hábito de estudar nos traz a noção de auto eficácia, que fica evidentemente melhor. A proposta visa não só ensinar a técnica propriamente dita, mas tentar contribuir também para a consolidação do hábito de estudar. 

CÍRCULO – Quais outros temas te interessam e que pretende explorar profissionalmente unindo seus conhecimentos?

Simone – Eu acredito muito na mudança do ser humano a partir da educação. Precisamos aprender a nos conhecer, a nos relacionar, a desenvolver pensamento crítico, a colaborar para o bem coletivo. Temas e ferramentas psicoeducativas que promovam autoconhecimento, temas sobre criação de filhos em diferentes faixas etárias, sobre habilidades sociais para melhorar nossos relacionamentos, técnicas para aumentar foco e atenção, conceitos que auxiliem na mudança de hábitos (mentais, comportamentais e vícios). 

Conectar ideias da filosofia perene com a ciência moderna, pois me encanta ver conclusões similares advindas de fontes tão distintas. E, para além do indivíduo consigo mesmo, temas que promovam conscientização social. Ampliar a capacidade de percebermos a sociedade ao nosso redor, trazendo temas para compreendermos como o reflexo de ações públicas e histórico-culturais afetam a sociedade em todos os níveis. 

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