Essa tal “Verdade”

Se permanecermos, cada qual fixados em nossas próprias verdades, jamais chegaremos à mesma conclusão sobre o conhecimento que acessamos e para onde ele nos levará, porque “cada ponto de vista é a vista de um ponto”. Cada um de nós terá uma leitura diferente daquilo que estamos acessando “na nuvem” não-local. Isso é natural. E esta leitura formulará a nossa “verdade” sobre aquilo. Quando eu digo para você que a minha verdade é certa e inquestionável, e a sua é a errada, nós vemos nascer um dogma. E a grande lição histórica que os dogmas nos trouxeram é que se você não concorda com eles, vai parar na fogueira.

Veja que linda a visão do Leonardo Boff:

“Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre uma releitura. A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo em que habita.”

Assim, o conhecimento pleno da verdade só se dá a partir de múltiplos pontos de vistas experienciais. Daí a lógica não só da partilha fraterna como da reencarnação. Baseado no meu ponto de vista, eu vivo uma experiência da “verdade” que está entre nós. A partir desta experiência eu formulo ideias que definirão esta “verdade” e constituirão a minha perspectiva sobre ela. Talvez essa perspectiva não esteja 100% certa, nem 100% errada. É simplesmente a fração da verdade que eu dou conta de processar em meu atual estágio de evolução. Por isso é uma experiência íntima, pessoal e transcendental.

Eu não posso te fazer engolir a verdade. Nem posso colocá-la dentro de você. Eu só posso fazer você pensar sobre ela através dos conteúdos que te apresento. O resto vai acontecer aí dentro de você, na justa medida da sua busca e sinceridade.

Sempre avanti!
Che questo è lá cosa piú importante!

J.

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados

O episódio com Carol Portilho no Café do Chico – Conversas da Alma foi daqueles encontros em que técnica e alma caminham juntas. Conhecida por seu trabalho com códigos da comunicação, linguagem corporal e presença, Carol mostrou que comunicar bem não é apenas dominar ferramentas externas — é, antes de tudo, atravessar o próprio mundo interno.
No encontro com Lucas Aldi e Soliris Longo, criadores da Tribe Zen, o Café do Chico revelou algo precioso: há uma diferença enorme entre falar sobre autoconhecimento e realmente fazer dele uma forma de viver. E talvez seja justamente essa a força do trabalho que os dois vêm construindo nos últimos anos.
Existe um momento em que a vida perde o sabor. O vinho acaba. Não no copo — na experiência. A aula desta semana de Evagelho Metafísico vem pra falar dos milagres de transmutação silenciosos que operam quando aceitamos o processo. Uma ótima pedida para essa Páscoa!