O amor é movimento

Desde o artigo Integração Cósmica, Exoconsciência e Worship Music virei réu confesso: eu sou fã de Amanda Cook e seu trabalho musical. Então, sem mais delongas, deixo logo no início deste artigo uma das músicas que mais tem me inspirado nas últimas semanas, sobretudo com o início dos trabalhos do Círculo. Assim você pode dar o play e ler o resto do artigo já ouvindo a música, ou dar o play depois. Fica ao gosto do freguês.

O fato é que, não por acaso, esta música fala do AMOR, dessa energia pulsante que parte da Grande Fonte Criadora de tudo e de todos, percorre o universo inteiro e como um perfume atrai de volta para si as consciências espalhadas/conectadas pelo cosmo. De todas as palavras que poderiam definir o que entendemos por Deus, o Apóstolo João escolheu o AMOR como a que melhor expressa a essência de sua natureza: DEUS É AMOR, declara em uma de suas cartas. Ele não é “o” amor, o sentimento, a energia. Mas a sua essência, a sua natureza é toda AMOR, pulsante, paciente, intenso, extravagante, perfeito.

Conversando com um dos meus amigos mais chegados neste final de semana, expus uma de minhas percepções sobre o amor. Ao contrário do que se poderia pensar, não vejo o contrário do amor como o ódio. Eu vejo o MEDO como seu oposto. Porque o amor é movimento que vai ao encontro do outro, num cósmico processo de expansão de consciência e integração, onde cada ser encontra no todo a ressonância contínua de si mesmo. A experiência do amor é uma experiência de pertencimento e integração. É acolhimento em níveis profundos de consciência de si mesmo, como parte fundamental e indispensável do universo em que nos contemos. O oposto deste processo, é o fechamento em si mesmo. E o medo, me parece, é o encarcerar-se em si. Dele nasce o ódio, a inveja, o orgulho, o ciúmes, a raiva, o complexo de inferioridade, a indiferença, a apatia. O medo é o ser cuja natureza não se manifesta, ao contrário, se fecha em si mesma. É como uma garrafa de água fechada no mar. Ela não é água com o mar, está no mar mas não é parte do mar. Está fechada em si mesma e pouco se deixa afetar pelo que o todo é. Não há vida dentro da garrafa como há fora. Porque a vida é mistura, é movimento, é integração. A experiência do amor é a experiência de sentir-se derramar no oceano.

O medo nos encerra. O amor nos faz um com o todo. É como uma canção que se faz ouvir em silêncio interior. Sua harmonia nos move ao encontro do outro, ao encontro do todo, a partir do encontro e realização de nós mesmos.

O amor é insano para este mundo, ainda encerrado no medo. Este mês nós tivemos a coragem de dar os primeiros passos para colocar o amor que temos experimentado em movimento de transformação com o início do Círculo. É uma aposta arriscada, mas confiante. Porque sabemos o que temos acessado e quem é por nós nesta empreitada. Mais ainda, nós sabemos a responsabilidade que temos no processo de transformação do planeta. Já nos foi dado tanto, e tão pouco fizemos. Talvez esse seja um dos grandes efeitos de ouvir e se deixar contagiar pela canção do amor: a gente perde o medo de empreender por um mundo bem melhor… a gente simplesmente se joga e sabe que a coisa vai rolar.

E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam ouvir a música.
Friedrich Nietzsche

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos Relacionados

O episódio com Carol Portilho no Café do Chico – Conversas da Alma foi daqueles encontros em que técnica e alma caminham juntas. Conhecida por seu trabalho com códigos da comunicação, linguagem corporal e presença, Carol mostrou que comunicar bem não é apenas dominar ferramentas externas — é, antes de tudo, atravessar o próprio mundo interno.
No encontro com Lucas Aldi e Soliris Longo, criadores da Tribe Zen, o Café do Chico revelou algo precioso: há uma diferença enorme entre falar sobre autoconhecimento e realmente fazer dele uma forma de viver. E talvez seja justamente essa a força do trabalho que os dois vêm construindo nos últimos anos.
Existe um momento em que a vida perde o sabor. O vinho acaba. Não no copo — na experiência. A aula desta semana de Evagelho Metafísico vem pra falar dos milagres de transmutação silenciosos que operam quando aceitamos o processo. Uma ótima pedida para essa Páscoa!