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Rancho dos Gnomos: Uma bolha de Nova Terra

Campanha busca fundos para ajudar o Juco, jovem urso que está em sofrimento por não ter um espaço adequado.

O Santuário Rancho dos Gnomos, atualmente sediado em Joanópolis (SP), foi criado há 30 anos para receber e dar uma vida digna para animais vítimas de exploração, violência, abuso, maus-tratos, ignorância, negligência e doma. Há vinte anos o trabalho é realizado exclusivamente com doações de pessoas físicas e/ou empresas que se tornam colaboradores mensais (atualmente nenhuma empresa é doadora fixa). Nos dez primeiros anos a manutenção veio do patrimônio pessoal do casal Marcos e Silvia, os fundadores, que foram se desfazendo de carro, apartamento e economias pelo amor aos irmãos animais.

O Rancho dos Gnomos pode ser chamado de uma “bolha de Nova Terra”, expressão para designar lugares e pessoas que já vivem com a consciência de um planeta de regeneração. O termo é utilizado pela Dra. Mônica de Medeiros, médica, fundadora da Casa do Consolador e Professora do Círculo. 

Receber pedidos de ajuda e resgate de animais em sofrimento é algo constante na rotina de Marcos e Silvia, que estão juntos há 40 anos, e dedicam suas vidas à causa animal. O pedido mais recente veio de Piracicaba (SP), onde um jovem urso da espécie urso-de-óculos está sobrevivendo em espaço minúsculo e sem sol, de forma que suas patas estão atrofiando, já que pelo seu porte precisa se movimentar. Juco é seu nome. 

Dra. Mônica, ao tomar conhecimento da situação, começou uma campanha nas redes sociais para arrecadar o valor necessário para o Rancho construir um recinto e abrigá-lo. 

Marcos e Silvia (ambos de camiseta preta) em visita ao Juco.

“Fomos solicitados há alguns meses para ajudar esse irmão, mas não tínhamos condições de recebê-lo, pois não temos recinto adequado construído e acabamos de receber uma outra ursa. Então, certo dia, comentamos o caso com a Dra. Mônica, e ela, de pronto, falou que iria começar uma campanha na internet. Agora, já assinamos a papelada nos comprometendo a preparar um espaço para ele e oferecer todos os cuidados. Temos três meses para isso. Ele está numa situação dramática, embora os técnicos do zoológico estejam fazendo de tudo para mantê-lo, mas ainda é jovem, com apenas seis anos”, conta Silvia. 

Assinatura da documentação em que o Rancho dos Gnomos se compromete e receber e cuidar do urso Juco.


O Rancho dos Gnomos vem recebendo, ao longo de sua existência, todo tipo de animal, mas, quis o destino que se especializassem em cuidar de animais silvestres (onça, macaco, veado, arara, papagaio, coruja, gato do mato…) e exóticos (urso, leão, tigre…). Porém, esses são animais que exigem um ambiente e cuidados muito específicos para que possam viver de acordo com sua natureza, já que não é mais possível devolvê-los à liberdade.



CAMPANHA – AJUDE O JUCO A IR PARA O RANCHO DOS GNOMOS

Para quem quiser e puder ajudar, seguem as formas de fazer esse bem a um irmão animal. Qualquer valor é bem-vindo: ASERG – Associação Santuário Ecológico Rancho dos Gnomos

  • PIX : CNPJ: 04.087.616/0001-00
  • Banco Itaú: Ag. 0253 C/C: 69280-0 
  • Doação Internacional – Código Swift: ITAUBRSP
  • Banco Santander: Ag. 2071 C/C: 13000043-3
  • Doação Internacional – Código Swift: BSCHBRSP
  • Banco Bradesco: Ag. 7007 C/C: 5900-5⁹v

Mais informações: http://pet.nerdmail.com.br/doe/



A história do Rancho dos Gnomos

Mas como começou esse santuário, que hoje mantém mais de 140 animais, entre silvestres, exóticos e domésticos, vítimas de maus tratos e/ou abandono? 


Há pouco mais de 30 anos, Silvia morava nos Estados Unidos com os pais e veio ao Brasil apenas para se casar com Marcos. O plano era voltar imediatamente para construírem a vida na América do Norte. Porém, a espiritualidade tinha outro destino para eles. O jovem casal, essencialmente urbano, com um apartamento montado na cidade de São Paulo, resolveu levar seus móveis para um sítio dos pais de Silvia, em Cotia (SP), antes de viajar. O local havia se transformado em um depósito depois que a família saiu do país. 

“E, até hoje, eu não sei explicar o que aconteceu, mas acabamos ficando. O Marcos ia todo dia trabalhar em São Paulo. E eu comecei a cuidar, limpar, arrumar tudo. Embora meu pai tivesse esse sítio desde a década de 1960, eu não ia muito lá na infância e adolescência, eu nem tinha ligação com a natureza, ia forçada. Mas lembro que, quando ia, geralmente aconteciam assassinatos de animais, que eram levados para São Paulo para servir de alimento. Isso é bem traumático de lembrar, mas, na época, eu não fazia o link de que o que eu estava comendo em SP era aquele desconforto que eu sentia no sitio”, lembra Silvia. 

Os dois primeiros anos no local foram de profundo contato com a terra e mudança de valores na vida de Marcos e Silvia, a ponto dos pais dela ficarem preocupados, já que ela sempre foi muito urbana e não havia voltado aos EUA como combinado.


A grande virada foi quando Marcos apareceu em casa com uma cabra grávida, que logo foi batizada de Talismã. Acontece que eles não sabiam cuidar do animal, então Sílvia foi pesquisar em revistas rurais da época como alimentar e construir uma casa adequada para ela e os bebês. Um dia, Marcos foi comprar ração na cidade e uma senhora protetora de gatos lhe deu um folheto sobre um Congresso de bem-estar e direito animal de três dias.

“Eu não entendi nada quando ele me mostrou aquilo, mas o universo trabalha muito bem e no dia do congresso, estávamos lá. E então nosso mundo caiu. Ali nos foi apresentado um universo real, cruel, violento, desumano, que é o que fazem até hoje com nossos irmãos animais. Vimos coisas do mundo inteiro: cães de guerra, a antiga carrocinha, rodeios, vaquejadas, bordéis de zoofilia… foi tão forte, que sai de lá e não tinha mais condição de pensar em continuar vivendo. Fiquei quatro meses na cama só chorando. Eu não tinha condição de conceber aquilo como real no mesmo planeta que eu vivo e sendo feito por humanos, a minha espécie. Era um sentimento de revolta e tristeza. Meu pai veio dos EUA para tentar me colocar em pé novamente”, relata.  


Foi então que Silvia e Marcos receberam um grande conselho de seu pai, já desencarnado: “Sequem as lágrimas e as transformem em força, para que seus corações os impulsionem para a frente”.
E foi o que fizeram, idealizando e fundando o Santuário Rancho dos Gnomos, que, por 25 anos, foi sediado em Cotia (SP) e, há cinco anos, está num espaço em Joanópolis (SP).

“Despertou em nós um amor, uma compaixão, algo tão fraterno e profundo, que realmente abrimos mão da gente por eles. E sentimos a presença do divino quando olhamos nos olhos de um animal. Esse amor, que até então desconhecíamos, está sempre presente nas nossas vidas”, conta Silvia

Educação ambiental e voluntariadoOutros trabalhos desenvolvidos pelo Rancho são: a educação ambiental para crianças; espaço para grupos, vivências e cursos como reiki, direito animal e veganismo. Além do voluntariado no local, que pode ser feito por qualquer pessoa, a partir dos 18 anos.

Em função da pandemia de Covid-19, desde o ano passado nenhum desses trabalhos está sendo realizado, mas, assim que a pandemia permitir, Silvia e Marcos pretendem retomar as atividades. Mais informações podem ser obtidas no site do Rancho dos Gnomos.


Sobre a espécie urso-de-óculos
O urso-de-óculos, também conhecido como Jukumari, urso-andino ou urso-de-lunetas, constitui a única espécie vivente de urso nativa da América do Sul. É tecnicamente o maior carnívoro terrestre desta parte do continente, embora apenas 5% de sua dieta seja constituída de carne. A espécie é classificada como vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN, sendo ameaçada principalmente pela destruição e fragmentação de seu habitat. Seu nome popular urso-de-óculos faz referência à coloração clara em sua face, peito, pescoço, a qual pode ou não ter o formato de óculos. 

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