Sacadas: Em busca da autorresponsabilidade

Sacada 1: O Convite Inesperado

Setembro de 2019

Logo após a mudança de casa necessária, encontrava-se revendo muitas coisas. Sua mente não parava de pensar. Tanta coisa acontecendo por dentro e por fora. Achava que não daria conta. Mas, até aquele momento de sua vida, olhando em retrospectiva como fazia de costume, ficava até surpresa. No fundo, mesmo com bastante sofrimento, dor, atropelos, erros, atalhos, falhas, inconsequências, atos impensados, enfim, a lista é grande…, ela superou muita coisa mesmo. Ufa!

Continuou, então, sentada de frente ao seu notebook tentando se concentrar nas páginas iniciais de seu novo empreendimento. Sairia o livro, afinal?

Mas escrever não é fácil. Requer concentração, foco, persistência, disciplina, dedicação, tempo… Nossa! Ela não acredita ter tamanhas qualidades. Aliás, ela não tem mesmo muita paciência. Pode até ter habilidade ou dom, mas o restante. Como dizem atualmente: “Só Jesus na causa”. Acontece, porém, que ela gosta de escrever e colocar suas ideias no papel e até mesmo de compartilhar de forma indireta o que sente. Mas não é muito afeita a empreendimentos que requerem uma demanda de tempo muito prolongada. Em suas fugas e abstrações, se autodiagnostica hiperativa. É mais cômodo colocar rótulos para fugir de responsabilidades.

Sabe também que será devidamente cobrada pelos talentos desperdiçados e, caso a escrita seja um deles, provavelmente estará lascada se esse livro não sair. Então, é melhor parar de inventar desculpas. Vamos aproveitar essa deixa aqui, querido (a) leitor (a) e fazer uma rápida provocação. Eu não poderia deixar passar, não é mesmo?

Quais têm sido as suas desculpas?

Não, não. Não para os outros… Já está fugindo do assunto ou se fazendo de desentendido, não é mesmo? Essas desculpas para os outros não me interessam. Aliás, não interessam nem mesmo a você, se quer saber. Falo das desculpas que anda dando a si mesmo. Somente essas é que você tem responsabilidade e pode tratar de resolver. Entende?

Pense com cuidado e atenção e não invente desculpas, ok?

Bem, enquanto ela escrevia seu livro, eis que o celular toca. Um número desconhecido. Ela não atende, mas verifica que lhe deixam uma mensagem no WhatsApp. Curiosa e protelando, deixa o livro de lado e volta a atenção para o aparelho. Trata-se da mensagem de uma pastora de uma igreja que lhe pede que entre em contato, pois tem um convite para uma palestra.

Enquanto escuta o áudio, sua cabeça dá voltas, já que ela pensa muito depressa. O convite inesperado é para um evento de Outubro Rosa. Uma palestra sobre autoestima para aproximadamente 80 a 100 mulheres. Ela tem duas datas em aberto para escolher e menos de um mês para preparar. Gostariam de sua confirmação o quanto antes.

Marcia ama ministrar palestras. Ao mesmo tempo em que pensa logo como montar, quais tópicos abordar, no estilo do powerpoint etc., se depara com uma questão que a faz parar tudo. Como poderia dar uma palestra para a mulherada sobre autoestima se ela mesma ainda não tem a própria trabalhada?

– Opa! Para tudo. Paaaara tudo, grita Marcia, internamente. Esse convite não é pra mim.

Porém, não muito tempo depois, maturando a ideia, gestando e sem se precipitar numa resposta impulsiva, ela com consciência de alguns processos psicológicos, mentais e espirituais, pede auxílio da turma lá de cima e consegue a visão e discernimento de que, na maior parte das vezes, aqui nessa Terra, ao mesmo tempo em que tratamos, somos tratados, e de que esse convite inesperado era uma bênção e oportunidade de, ao preparar a palestra de autoestima e transmiti-la, fazer uso da mesma para si própria também, como tem sido sua jornada nesta encarnação.

Sendo assim, aceitou o convite com gratidão e firmeza e fez a palestra sobre autoestima em Outubro de 2019, em uma igreja muito acolhedora na região serrana do RJ.

Sacada 2: Buscadora de respostas

Sempre em busca de respostas sobre quem ela é, de onde veio, para onde vai, o que está fazendo aqui nesta terra, qual a origem de tudo, Paola se embrenhou por muitas fontes de conhecimento.

Bebeu de muitas águas. Fez regressão a vidas passadas em busca de respostas sobre quem havia sido em outras vidas. Só não teve coragem de experimentar hipnose.

– Sabe-se lá o que poderia acontecer, pensava.

No entanto, ficava um quê de dúvida, de mistério, indagação em seu coração inquieto e buscador. Não estava satisfeita. Queria saber de sua essência, de sua alma. Porque não se sentia pertencendo, nada lhe completava, se entristecia, era como se não fosse daqui… tipo desse mundo… não se ligava, não se conectava verdadeiramente. Amava poucas pessoas, intensamente. Doava-se muito, gostava de dar, era desapegada. Não conseguia se entender. Entediava-se com facilidade. Possuía uma alma inquieta, instável, volúvel.

Por outro lado, sentia um vazio no peito, como se faltasse uma parte de si. Talvez um amor verdadeiro. Com custo, chegou à conclusão de que nunca amou de verdade. Só se apaixonou. Aliás, gostava muito de estar apaixonada. Fazia bem a ela. Quando não estava “in love”, esvaziava-se…, mas, ao mesmo tempo, ficava focada. Era muito ambivalente. Gostava de socializar, mas amava ficar sozinha, em seu mundo de fantasias e imaginação. Paola tinha mente fértil e criativa. Fantasiava muito desde a infância e viajava na maionese (ou na batatinha), se preferirem.

Um dia, enquanto estudava o Livro dos Espíritos, uma questão em particular lhe saltou aos olhos e chamou a atenção.

– Como não percebi isso antes?

Na questão 260 sobre a escolha das provas, há lá a pergunta.

– Como pode o Espírito desejar nascer entre gente de má vida?

E a resposta mui sábia:

“Forçoso é que seja posto num meio onde possa sofrer a prova que pediu. Pois bem! É necessário que haja analogia. Para lutar contra o instinto do roubo, preciso é que se ache em contacto com gente dada à prática de roubar.”

Paola, então teve uma sacada. A questão da analogia. E passou a refletir sobre seus instintos, seus impulsos e pendores naturais. A que ela tem propensão? A mudança de caráter se opera nisso, a partir daí reside a evolução. Não é necessário buscar em outras fontes, mas o verdadeiro buscador de respostas, encontra nele mesmo as chaves que podem mudar sua vida.

Mais do que de onde vim, é onde estou, o que pretendo fazer aqui e agora e para onde vou?

Caro (a) leitor (a): Quais são seus instintos mais primitivos? Quais são seus espinhos na carne? Qual legado pretende deixar quando daqui se for?

Sacada 3: Algo de nós, algo em nós

Oração: Algo de Nós

Emmanuel

Reconhecemos todos que o mundo atravessa agitadas crises de transição. Mas podes ser onde estiveres, a escora de fé em que os outros se apoiem. Surgem calamidades, entretanto, nada te impede ser o refúgio em que se alimente pequenina tarefa socorrista.

Golpes de violência demonstram desvarios de muitos companheiros da humanidade? Todavia, o conhecimento superior, te autoriza a efetuar o esforço do reajuste.
Labaredas de discórdia rebentam às vezes os melhores grupos sociais? No entanto, retém os necessários recursos de espírito a fim de restaurar a obra de união.

Tribulações de família se destacam aqui e ali com ímpeto arrasador. Dispões, contudo de meios precisos para ser um ponto de amparo e compreensão no reduto doméstico.
Ideias estranhas enxameiam no campo da inteligência tentando desprimorar valores humanos; guardas porém a possibilidade de ser fiel à dignidade da vida.

Muitos se inclinam para o ódio, se quiseres consegues personalizar a presença do amor.
Há quem vibre favorecendo a guerra; será no entanto, o toque da paz.

Todos nós, os espíritos encarnados ou desencarnados ainda no regime de vinculação ao planeta terrestre, estamos vendo as transformações do mundo, e compartilhando o trabalho que decorre de todas elas. Urge reconhecer, porém, que cada um de nós, pode ser uma parcela de serviço, acrescentando algo de bom ao processo evolutivo em que nos achamos irmanados, com vistas à vitória do bem na construção do futuro para o Reino de Deus.

Pedro terminou de escutar essa prece e simplesmente refletiu:

– Há sempre algo em nós e sempre há quem espere algo de nós. Façamos.

E você? O que há em você que pode ser feito? Qual parte desta oração mais te tocou? Já conhecia ela?

Querido (a) leitor (a):

  • Com qual sacada mais se identificou?
  • Quais têm sido suas sacadas esse ano?

Sigamos em frente, “no fluxo e de boas”.
Um grande beijo e até a próxima.
Com carinho,
Marcia Vasconcellos


Leia os textos anteriores da série:

1 – Conto: o doce e o cão
2 – Comunicação Multidimensional: possibilidade de cura e libertação
3 – Conto: Às Escondidas
4 – Quebra-Cabeças
5 – Curto-Circuito: Eternos buscadores
6 – Conto: Sementes da luz
7 – Cozendo o passado com o olhar no futuro
8 – Borracheiro abençoado

 

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