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8 lições boas pra cachorro

O que aprendi com Dudu.

No dia 10 de julho de 2021 eu precisei assistir ao desencarne do meu cachorro, Dudu, um schnauzer que estava com quase 12 anos. Foi uma dor tremenda. Além das questões da idade ele estava com um tumor na boca e os recursos da medicina eram tão dolorosos quanto a doença. Então tive que tomar essa difícil decisão do desencarne assistido.

Para me ajudar a lidar com essa dor escrevi 8 coisas que eu aprendi com esse barbudo. Teria muito mais, mas eu fui resumindo. Percebi o quanto a evolução é pautada na qualidade dos relacionando que a gente desenvolve. Eu brinco que ele foi o meu relacionamento mais longo na vida até agora, pois ele passou por três casamentos.

Mas vamos às 8 lições:

  1. SINGULARIDADE
    Consciências mais adiantadas contribuem fraternalmente com a autoconsciência das singularidades de consciências mais jovens. O caminho da evolução é um caminho de valorização das singularidades e sua perfeita inclusão. Todos têm O SEU LUGAR no TODO.

O convívio com ele me fez identificar todas as suas singularidades, os pequenos traços de personalidade que começava a emergir daquela consciência. Não era só um cachorro, era o Dudu. O relacionamento com consciências sempre estimula nas consciências mais jovens a autoconsciência das suas singularidades.

  1. PERTENCIMENTO
    Somos considerados e ocupamos o nosso lugar a partir da consolidação da autoconsciência da nossa identidade.

O Dudu tinha uma paixão por bola, isso fazia parte da identidade dele. E quando temos autoconsciência de quem somos e o que amamos, encontramos o nosso lugar de pertencimento, e esse lugar nos protege e nos empodera.

  1. O CAMPO RELACIONAL
    André Luiz diz que “onde há pensamento há correntes mentais, onde há correntes mentais há assimilação”.

Existe uma pesquisa do Dr. Rupert Sheldrake, autor do livro Dogs that know when owners are coming home, que mediu o entrelaçamento mental entre os cachorros e seus donos, que identificou que quando os donos decidiam ir pra casa, seja onde for que eles estivessem, o cachorro já sentia e se colocavam em posição de espera. Eu vivi isso. Havia correntes mentais entre nós.

  1. GENERALIZAÇÃO X INDIVIDUALIZAÇÃO
    A evolução nos move da generalização para a individualização. A valorização de nossas singularidades abre caminho para o amor fraterno, a complementaridade e a inclusão.

É justamente quando você começa a perceber que o poder da individualização nasce de relacionamentos. Quando eu sei valorizar o que o outro tem de singular encontramos o elemento fraterno de singularidade e o outro é incluído na minha vida de forma individualizada.

  1. GRADAÇÕES E PERSPECTIVAS DO AMOR
    O despertar do nosso surpreendente dom de amar sem medidas, sempre mais, sempre maior. A dor da saudade é diretamente proporcional ao amor vivenciado num relacionamento.

A saudade é do tamanho da ausência. E a ausência é percebida pelos contornos do amor que se vivia. O amor é sempre um caminho de auto superação. Quando achamos que amamos na plenitude, descobrimos que podemos amar ainda mais.

  1. CONEXÃO NÃO LOCAL
    A saudade é uma porta de conexão não local e o amor é o seu pulso.

A conexão construída pelos relacionamentos que são desenvolvidas no amor não têm barreira no espaço ou tempo.

  1. DISPONIBILIDADE PARA A VIDA
    A vida não gosta de esperar
    A vida é pra valer
    A bolinha é pra jogar
    Dudu, meu velho, Saravá!

  2. A FINITUDE DA VIDA E O DESAFIO DA TRANSCENDÊNCIA
    Desafio filosófico: A morte é uma experiência concreta, a finitude da vida orgânica dói. Jesus chorou. Sem transcendência não há superação verdadeira do luto.

Muitos filósofos já tentaram explicar a transitoriedade da vida. E esse golpe nos nossos sentidos ainda dói. Somente a transcendência como prática da consciência pode nos levar para a superação do luto, para a reintegração da vida e do equilíbrio. O amor constrói relações que continuam existindo dentro de nós. O Dudu, com tudo que aprendi com ele, continua existindo dentro de mim.

Abraço grande,
Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati

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Respostas

  1. Querido Juliano!!! te agradeço por essa postagem. Hoje tive que me despedir temporariamente de uma Lhasa de quase 19 anos – a nossa Raissa- . Me vi em tudo que vc falou. Um amor tão grande, e que me fez perceber o tamanho do amor do PAI por nós. Incrível. Até… minha querida e amada Raissa…………

  2. Quem não teve um Doguinho e amou incondicionalmente que atire a primeira pedra!! Me vi em tudo que vc falou Ju, minha Marie se foi no dia 07/10/2019 até hoje eu converso com ela, um dia muito em breve vamos nos encontrar!

  3. Juliano…Quero acreditar que foi o Universo que me enviou essa tua aula, esse vídeo! Aliás, esta semana, foi o 3º evento relacionado a esse tema que me chega… Gratidão à Vida que trabalha e conspira a nosso favor, nossas necessidades! Hoje faz 21 dias que precisei passar pelo mesmo processo que você com a minha filha de 4 patas, a Dorinha! Chorei junto contigo, sentindo a mesma dor, o mesmo pesar, sofrendo do mesmo luto, compartilhando da mesma necessidade de trabalhar e compreender a nossa impermanência, a nossa finitude! Compreender a complexidade da verdadeira vida, não reduz a nossa dor! Sinto e percebo minha Dóris, a todo momento a minha volta, até já acordei sentindo ela lamber minhas mãos, como fazia nos últimos tempos…. Obrigada por compartilhar seu pesar, sua dor e ajudar-nos a desvendar os aprendizados desta experiência! Não me sinto só…Nem todos conseguem entender o tamanho do amor que nos conectava aos nossos amigos, para muitos, “era só um cachorro!” Não entendem! Grata à Vida e ao Universo, que me conectaram a ti…Obrigada do fundo do meu coração! Que teu Dudu e a minha Dóris possam estar brincando de bola em algum lugar do Infinito…