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A armadilha de querer sempre agradar

comunidade

Se não formos fieis aos valores que acreditamos, estaremos nos anulando em prol de pertencimento e  afeto.

 “Ao tentar agradar outras pessoas corremos o risco de nos desviamos para o que esta fora da nossa esfera de influência. Agindo assim perdemos o domínio sobre o propósito da nossa vida.” Pág. 53, A Arte de Viver, Epicteto.

Uma das bases das filosóficas defendidas por Epicteto é que não podemos controlar a reação das pessoas e a forma como entendem a vida. Tentar controlar qualquer pessoa ou situação vai trazer sofrimento.

Mas pior do que se desapontar é perder o rumo do seu propósito de vida. Em geral buscamos pertencer. Queremos nos sentir parte de uma comunidade, um grupo. Platão defendia o amor como uma “saudade de algo que se foi, a saudade da unidade original, da comum união que faz de nós comunidade”. Dentro desse viés, é como se o amor nos atraísse para que formássemos novamente um único corpo.

De fato estamos mergulhados na mente do todo, mas a nossa percepção da realidade traz a ilusão de separatividade, justamente porque do contraste nasce à consciência. Ao experimentar a separação e a fragmentação, buscamos com mais afinco a união e a integração. Nascemos para ser um. Já dizia Jesus: “O meu maior desejo é que todos sejam um, como eu e o Pai somos um”.

“Contente-se em ser alguém que ama a sabedoria, que busca a verdade. Volte quantas vezes for necessário para o que é essencial e valioso”. Pág. 53, A Arte de Viver, Epicteto.

Esse é um conselho riquíssimo porque a gente sempre dá uma pisada na bola. E faz parte! Perceba no que você está se desviando, se desvalorizando, desconectando-se de seus valores… e volta! É simples assim!

Nenhum de nós precisa dar conta de tudo e de todos!

Se você percebeu que está saindo do caminho, volta. Encontre novamente um centro de acordo com seus valores. E ao invés de tentar agradar outras pessoas, quase sempre abrindo mão dos valores essenciais para você, busque ser quem você é ao lado de quem te respeita. Isso vai trazer muito mais pertencimento e sensação de unidade.

Se não formos fieis aos valores que acreditamos e sempre jogar o jogo que se propõe, estaremos nos anulando, abrindo mãos dos nossos valores em prol de conseguir o reconhecimento e o afeto. E aqui não estou criticando o talento da adaptabilidade, ela é importante, mas o que estou falando é quando ela nos faz mendigos de afeto. Quando começamos a pedir esmola de pertencimento e reconhecimento. Esse é o caminho perigoso que Epicteto está alertando.

“Não tente ser sábio aos olhos dos outros. Se quer viver uma vida de sabedoria, vida de acordo com suas condições e procure ser sábio aos próprios olhos”. Pág. 53, A Arte de Viver, Epicteto.

Ao estudar um pouco de psicologia analítica vemos que desenvolvemos ao longo da vida personas para os diferentes círculos que nos relacionamos, como se fossem roupas diferentes.  Até certo ponto, isso é normal. Se vamos ao trabalho, vestimos uma roupa mais social, se vamos à praia, uma roupa de banho, mas a pessoa por baixo dessas roupas é a mesma.

A questão é quando essas personas grudam em nós e confundem quem somos.

O segredo para caminhar de forma sábia e tranquila é justamente entender quem são essas personas e quem somos de fato. E, no relacionamento interior conosco, não podemos fingir ser outra coisa, senão disfarçaremos e não conseguiremos evoluir.

Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati


 

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