A egrégora do monge e o executivo

Hoje quero falar sobre egrégora, esse quantum de energia formado por seres multidimensionais e formas de pensamento alocados para propósitos e realizações. E começo perguntando: Será que existe diferença entre a egrégora de um monge e a de um executivo/empresa?

Atendo muita gente em processos de mentoria voltada ao empreendedorismo, Exoconsciência e espiritualidade, utilizando a Psicologia de Pontos Fortes. Nessas sessões observo crenças que produzem estagnação devido à incompreensão. Claro que todos temos crenças que nos paralisam e afetam a forma como tomamos decisões. Mas a ideia arraigada de que “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” colocou o caminho material como oposto ao caminho espiritual. Criou-se, no imaginário coletivo, uma demonização do dinheiro.

E nós, que buscamos a espiritualização, ficamos com distorções no pano de fundo da nossa mente, e passamos a considerar a relação com o dinheiro com algo profano, de maneira que o dinheiro só faz sentido na evolução espiritual se for para abrir mão dele, dando tudo para caridade. Ou então tendemos a menosprezar as atividades em que somos remunerados. E elevar aquelas que fazemos sem ganhar “nada”. Muita gente se sente iluminado ao contar que fez algum trabalho sem receber dinheiro. Mas claro que sempre recebe aquele pagamento em bajulação e tratos afetivos por ser essa pessoa perfeita que faz sem receber nada.

É a ilusão da separatividade do que é o profano e do que é o espiritual. Como se o trabalho não pudesse ser uma forma de espiritualidade. Como se empreender não fosse um ato do espírito. A pessoa reserva ao domínio espiritual apenas aquilo que faz no final de semana numa instituição religiosa sem receber nenhuma moeda por isso.

E nessa dicotomia da separatividade, a pessoa nutre a ilusão de que desliga a sua espiritualidade no momento em que está realizando um trabalho profissional. Isso não faz o menor sentido, pois somos seres integrais e multidimensionais. A simultaneidade da expressão do nosso espírito ocorre em diversas dimensões. Você é corpo, mente e espírito. Você é soma, psique e pneuma.

Como disse Emmanuel “naquilo que pensamos e sentimos somos sempre a soma de muitos”. Logo, sempre falamos em nome de uma corrente de pensadores e pensamentos, materiais e espirituais, que chamamos de egrégora.

Por isso, quando pensamos que a egrégora de um monge é formada por seres iluminados e a de um executivo ou empresa é apenas de seres materialistas, é um preconceito que nasce de dois problemas filosóficos conceituais que estamos tratando aqui:

1 – A ilusão da separatividade – acreditar na ideia da religião de que Deus está lá e nós aqui porque fizemos alguma bobagem chamada pecado e temos que nos religar com Deus como se estivéssemos desconectados. E, no meio desse caminho, tem um pedágio chamado religião ou igreja;

2 – Não saber o que é dinheiro – esquecer que dinheiro é a representação de uma energia que pode ser aplicada no espaço para gerar movimento. Esquecer que dinheiro é uma força que move as coisas. Dinheiro é tempo de vida, tempo que movimenta a vida.

Quando eu olho para a egrégora do executivo, ou empresa, e a desqualifico porque visa a geração de receita, esqueço que para movimentar as coisas aqui neste planeta precisa de grana! Não sei se vai ser assim para sempre, mas até agora é!

Por isso olho para o dinheiro como tempo de vida e vejo egrégoras em torno de grandes executivos ou empresas, sobretudo aquelas que já entenderam que seu propósito não pode ser apenas o lucro, custe o que custar, e que lucro não é fim, mas meio para transformação do ser humano.

O que pode impedir a evolução espiritual é o que você vai fazer com o dinheiro. O que qualifica o lucro é a consciência por trás dele que lhe dará o destino. Não existe superioridade. Existem ideais dignos de serem empreendidos.

Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati



O tema desse artigo é o assunto do episódio 7 do Simboraê, o podcast  para quem despertou e quer fazer acontecer, apresentado por Juliano Pozati e com novos episódios todas as segundas, às 7h, no YouTube do Circulo, Spotify, Deezer ou Google.

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