A “Estratégia Empresarial” do plano espiritual

“Existe uma estratégia de diversificação no caminho evolutivo. E, para cada caminho, há uma jornada a ser percorrida, um movimento que precisa acontecer em nós para evoluirmos”

Quem atua ou já atuou no mundo corporativo conhece a estratégia de diversificação de portfólio, em que diversos produtos fazem parte de uma empresa e, muitas vezes, sob o mesmo guarda-chuva de uma única marca. Pensando nisso, e fazendo um paralelo com a espiritualidade no planeta Terra, observei que essa é a estratégia do plano espiritual conosco: católicos, budistas, protestantes, judeus, muçulmanos, espíritas, evangélicos… são muitos os caminhos que a espiritualidade oferece para essa “religação” consciencial com a fonte criadora.

E além das religiões temos as escolas filosóficas, Ong’s, causas, propósitos. Alguns grupos da humanidade precisam de religião, outros preferem escolas filosóficas, outros são voluntários em Ong’s e causas como ativistas. Existe uma estratégia de diversificação no caminho evolutivo. E, para cada caminho, há uma jornada a ser percorrida, um movimento que precisa acontecer em nós para evoluirmos.

Um executivo de uma grande multinacional que tenha um senso de urgência de atingir a sustentabilidade e suficiência nos processos produtivos, e que busca os fornecedores mais éticos possíveis, está praticando espiritualidade. Não tem um viés religioso, mas é espiritualidade.

Na verdade, separamos as coisas em caixas, dizendo que uma coisa é a espiritualidade e outra é o que temos que fazer para pagar as contas. Mas as coisas não são separadas, somos seres multidimensionais, não há nada que você faça com seu corpo, que não faça também com sua mente e espírito.

A TÔNICA DO RELACIONAMENTO

Essa reflexão tem entrado no meu campo há algumas semanas. E ela permeia questões que não sabemos as respostas ainda. No começo, era o Uno, o Todo. Daí veio a criação, a polaridade, a projeção do espírito, a diversificação. Ao mesmo tempo, a jornada evolutiva começa a mostrar que o caminho da ascensão é o caminho da unidade. E, como uma pirâmide, à medida que vamos subindo, vamos nos integrando novamente ao Todo. Viemos do Uno e estamos voltando para o Uno. E então, por quê e para quê vivemos a separatividade?

Uma especulação de resposta seria: vivemos a ilusão da separatividade para aprender a nos relacionar. Porque não existe como experimentarmos o amor se não vivermos a tônica do relacionamento. O amor pressupõe interatividade, comunicação, porque a harmonia, em última instância, é o resultado final de quando você consegue desenvolver um relacionamento saudável consigo mesmo, com o outro, com o meio e com o todo.

UM DEUS PLURAL, QUE QUER SE RELACIONAR

No livro de Gênesis, da Bíblia, a segunda descrição do mito da criação tem uma frase que diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”. O que o texto de Gênesis indica nessa frase no plural é um ser plural. Um ser que em si, na sua natureza, tem pluralidade. Depois temos o dogma da trindade no cristianismo – pai, filho e espírito santo – uma expressão que aparece em várias outras tradições.

E quando vamos para a definição do apóstolo João, ele vai resumir toda a Bíblia em uma única frase: Deus é amor. Se a natureza Dele é amor e somos criados à imagem e semelhança Dele, Ele é um ser relacional, um Deus plural, que quer se relacionar.

Portanto, Ele encontrou, na diversificação de portfólio, formas de se relacionar com a gente. O ser humano anseia pelo relacionamento com Deus. Platão dizia que o amor é uma espécie de saudade de ser Um com o UNO.

Quando vivemos a ilusão da separatividade, experimentamos o contraste do que seria o estado de “ser Um com aquele que é Um”. E surge em nosso coração esse ímpeto de buscar estar junto, como um desejo de nosso Eu superior de retornar ao estado de Unidade. Então, a tônica da nossa evolução passa a ser o relacionamento, e isso mostra que somos seres relacionais por natureza. Um ser plural que tem em si a plenitude do amor, que é relacional.

Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati


* Este artigo foi originalmente publicado com exclusividade no Portal WeMystic na coluna de Juliano Pozati.

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