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A ilusão da separatividade

relacionamentos

Somos um ser plural que tem em si a plenitude do amor, que é relacional.  

Hoje quero compartilhar um insight sobre estratégias do plano espiritual, que expande a nossa consciência no sentido de maior colaboração.  Mas antes de entrar no tema em si, vou trazer alguns conceitos de estratégias empresariais,  vigentes no nosso mercado de trabalho, sem julgamentos se está certo ou errado, pois é assim que vivemos no atual sistema capitalista.

No mundo corporativo as empresas tem um objetivo central que é o lucro. Para isso, a empresas definem um produto, algo que possam contribuir com o mercado, para ganhar dinheiro. Uma das estratégias é a chamada diversificação de portfólio, em que cada produto vai contribuir com o lucro da empresa com sua margem de contribuição para o resultado final, que é gerar lucro.

Há algum tempo temos algumas organizações que não tem fins lucrativos, como as ONG’s, mas ainda assim elas precisam de meios lucrativos, pois vivemos no sistema capitalista.

Algumas empresas optam pelo produto único, como, por exemplo, a marca de bebidas Red Bull. Diferente de uma empresa como a Unilever, com centenas de produtos. Outra estratégia se chama “Umbrella Branding”, que é escolher um produto que já esteja consolidado no mercado e criar um guarda-chuva de produtos com aquela marca. Um exemplo clássico disso é: o sabonete Dove. Depois de anos batendo na tecla de ser um bom sabonete, hoje a marca tem shampoo, condicionador, hidratante, desodorante etc…

O plano espiritual optou pela diversificação de portfólio

A partir disso meu insight foi muito simples: A estratégia do plano espiritual é muito parecida. Existe um objetivo maior que é a evolução. E existe um caminho, uma jornada a ser percorrida, um movimento que precisa acontecer para evoluirmos.

Já percebemos que a estratégia de produto único não funciona. Dizer que só vai ser salvo ou evoluir quem é católico, budista ou evangélico? Eu tenho a impressão que o grupo de seres que arquitetam a evolução optaram pela estratégia da diversificação. De maneira que cada ponto de vista é a vista de um ponto.  E você pode, através de diversificação, encontrar muitos caminhos. E não raras vezes você vai passar por várias “dessas ofertas”.

E então temos todas as religiões, escolas filosóficas, Ong’s, causas, propósitos… Tem um grupo da humanidade que precisa de religião, outros preferem escolas filosóficas, outros são voluntários em Ong’s e causas como ativistas. Existe uma diversificação de estratégia no que tange ao caminho evolutivo. Dentro da religião, mesmo, tem várias opções.

Esse portfólio, independentemente do formato, aponta para o fluxo da espiritualidade humana, e não como prática religiosa, apenas.  Pode ser uma espiritualidade de valores ou como fenômeno. Todos são caminhos de espiritualidade, ainda que não seja religião.

Um executivo de uma grande multinacional que tenha um senso de urgência de atingir a sustentabilidade e suficiência nos processos produtivos, busca os fornecedores mais éticos possíveis, está praticando espiritualidade. Não é um viés religioso, mas é espiritualidade.

Na verdade, separamos as coisas em caixas, dizendo que uma coisa é a espiritualidade e outra é o que temos que fazer para pagar as contas. Mas as coisas não são separadas, somos seres multidimensionais, não há nada que você faça com seu corpo, que não faça com sua mente e espírito.

Onde está a pauta da espiritualidade?

Essa reflexão tem entrado no meu campo há algumas semanas.  E ela permeia porque questões que não sabemos as respostas ainda. No começo, era o Uno, o Todo. Daí veio a criação, a polaridade, a projeção do espírito, a diversificação. Ao mesmo tempo, a jornada evolutiva começa a mostrar que o caminho da ascensão é o caminho da unidade. E, como uma pirâmide, a medida de que vamos subindo vamos nos integrando novamente ao Todo.  Viemos do Uno e estamos voltando para o Uno. E então, por quê e para que vivemos a separatividade?

Aqui trago uma especulação de resposta. Vivemos a ilusão da separatividade para aprender a nos relacionar. Porque não existe como experimentarmos o amor se não vivermos a tônica do relacionamento. O amor pressupõe interatividade, comunicação, relacionamento, porque a harmonia, em última instância, é o resultado final quando você consegue desenvolver um relacionamento saudável consigo mesmo, com o outro, com o meio e com o todo.

No livro de Gênesis, da Bíblia, a segunda descrição do mito da criação tem uma frase que diz: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. O que o texto de Gênesis indica nessa frase no plural é um ser plural. Um ser que em si, na sua natureza, tem pluralidade.  Depois temos o dogma da trindade no cristianismo – pai, filho e espírito santo – uma expressão que aparece em várias outras tradições.

E quando vamos para a definição do apóstolo João, ele vai resumir toda a Bíblia em uma única frase: Deus é amor. Se a natureza dele é amor e somos criados a imagem e semelhança dele, ele é um ser relacional, um Deus plural, que quer se relacionar.

E então ele encontra na diversificação de portfólio formas de se relacionar com a gente. O ser humano anseia pelo relacionamento com Deus. Platão dizia que o amor é uma espécie de saudade de ser Um.

Quando vivemos a ilusão da separatividade podemos experimentar com contraste, uma saída de ser Um com aquele que é Um. E surge em nosso coração esse ímpeto de buscar estar junto. A tônica da nossa evolução passa a ser o relacionamento. Isso mostra que somos seres relacionais por natureza. Um ser plural que tem em si a plenitude do amor, que é relacional.

Mas relacionamento também pressupõe liberdade. E porque sou livre escolho me relacionar com uma comunidade, grupo, escola, pessoas. Do contrário esse relacionamento é um abuso. E, por isso, experimentamos essa separatividade, para começar a entender a dinâmica de escolher e participar do relacionamento divino, da comunhão, da integração. Isso tudo faz sentido para você?

Assista a aula em vídeo:

 


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