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A importância de viver cada sentimento e reconhecê-los

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Na segunda parte do #PapoSolto com o Psicólogo e Psicanalista Clínico, Raphael Mello, os temas que relacionam psique e espiritualidade são sentimentos, relacionamentos afetivos, pertencimento, culpa, entre outros.  Leia algumas respostas e assista a integra em vídeo.

CIRCULO – Qual a importância de viver sentimentos positivos e negativos?

Raphael Mello – Toda vivência de sentimentos é importante. Cada situação que a gente passa na vida nos traz um tipo de afeto diferente. E a forma como a gente lida com esse afeto e consegue elaborá-lo é o que nos coloca em movimento.

Hoje existe uma cultura muito rasa e para o gozo rápido que não possibilita o ser humano vive a dor, como se viver a dor fosse inadmissível. Se você toma um floral, por exemplo, ele vai provocar toda uma limpeza estrutural e espiritual no seu corpo e trabalhar a causa do que está acontecendo, então inicialmente você pode ficar meio adoecido. E tem que gente que para de tomar quando está num processo de cura.

Aqui está a importância de começar a vivenciar os sentimentos. Porque a pessoa está dizendo que o floral não ajuda de acordo com a expectativa dela, então entender e elaborar que isso é um processo de cura, mas que durante ela você pode sofrer algumas frustrações, com raiva e tristeza, e esses são movimentos que vão te levar a se conhecer.

Viver sempre em gratidão é impedir que você acesse sentimentos que são psíquicos, humanos, terrenos.  Ver apenas o amor o tempo reprime e recalca, com mecanismos do ego, uma essência que é sua para tentar ser divino e ficar no ego espiritual.

A importância de vivenciar todos os sentimentos é o fato de conseguir entender quem é você. E você tem uma responsabilidade em como isso chega para o outro. Mas se a pessoa não tem uma estrutura egoica para entender quem ela é, quem é o outro e quem são essas pessoas que formam esse grupo, todo o estímulo que vier vai ser aversivo.

CIRCULOS – Qual sua avaliação das relações afetivas virtuais hoje em dia e a questão da espiritualidade como algo que substitui um afeto?

Raphael Mello – A tecnologia veio para auxiliar, mas as pessoas não sabem utilizar. A demanda por amor e carinho sempre é algo natural. O principal é entender o contexto e como a pessoa passou por todas as fases na infância. O que vemos hoje nos aplicativos de relacionamento acaba sendo como um açougue. Muitas pessoas têm um desespero e buscam no relacionamento afetivo aquilo que faltou do pai e da mãe e exigem do outro exatamente aquilo que não tiveram. Mas o outro não tem como suprir uma necessidade que vem da infância.

Tenho alguns casos clínicos, por exemplo, que a falta do pai foi tão grande, que o namorado ou parceiro estão tentando suprir essa necessidade e o relacionamento está caindo num lugar que não é saudável. E esse pai nunca é encontrado.

A tendência do ser humano para não sofrer é buscar algo que seja mais sutil e que fuja da realidade, e a espiritualidade entra nesse lugar. Quando eu me ilumino, me torno especial, quando eu domino uma técnica espiritual consigo ajudar o outro, mas quem está gritando por ajuda sou eu. Por conta desse ego inflado e espiritualidade falsa, acabo abafando as questões que faltam em mim para suprir essa necessidade com uma ferramenta. A espiritualidade, às vezes, entra como uma ferramenta de fuga e de ego que não ajuda.

CIRCULO – Como funciona a busca por pertencimento?

Raphael Mello – A busca por pertencimento acontece muito atualmente. A questão é que quando você não tem autoconhecimento, qualquer estímulo que venha de fora contra aquilo que seja uma verdade para você (seu ego), não vai servir. A primeira reação é desqualificar o que te coloca em contato com a dor. Por isso a psicoterapia é importante.

É preciso entender quem sou eu para entender quem somos nós. Quando me aproximo de outras pessoas em uma igreja, centro ou comunidade, elas me trazem o que eu posso aperfeiçoar dentro de mim. Mas se eu não tenho esse conhecimento e nem abertura, vou entrar em negação.

Assista o papo na integra em vídeo:

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