A Jornada iniciática de Jesus

Quem está acompanhando o curso aberto Yeshua: Nosso Cristo Planetário Revelado, aqui no site ou no YouTube, sabe dos diferentes prismas de momentos da vida e trajetória de Jesus. E esse, aliás, é um ponto chave desse curso, pois, para muito além de trazer a versão ou opinião verdadeira, a experiência com a verdade acontece no mundo interno de cada um. E isso significa ser místico.

Isto posto, vamos olhar um pouco para a trajetória iniciática de Jesus, que são aqueles anos na vida em que nada se fala em escrituras como Bíblia, dos 14 aos quase 28 anos. O fato é que existem duas grandes teorias sobre a consciência de Jesus, que dividem os estudiosos dos livros sagrados ou exegetas: Teoria da consciência e Teoria da Iniciação. O ponto principal nessas visões é: Seria Yeshua consciente desde sempre de sua estirpe espiritual e missão na Terra? Ou teria ele também passado pelo esquecimento, provocado pela encarnação terrena, e teve suas capacidades e missão ativada por meio de iniciações ao longo da infância e adolescência?

Vamos ao que diz cada uma das teorias e alguns autores que dela se utilizam:

  • Teoria da Consciência: diz que Ele sabia desde o início, ou desde cedo, quem era e o que veio fazer na Terra. – Na minha opinião, essa é uma corrente mais alinhada a um pensamento religioso e encontramos ela em autores como Ramatis, Emmanuel e no Cristianismo em geral;
  • Teoria da Iniciação: aqui Jesus foi assimilando gradualmente sua identidade e missão, a partir de processos de iniciação, que são processos de experiência continuada que mudam o patamar de consciência. O pensamento Iniciático pode ser encontrado em autores como Spencer Lewis, Yogananda e outras fontes oriundas de Escolas Iniciáticas.

A partir dessas duas correntes ou teorias, convido a olhar para Maria, a mãe de Jesus. Nos textos de autores alinhados à teoria da consciência vemos uma descrição de Maria de obediência e silêncio, uma mulher que não interfere em nada; quase como uma figurante na vida de Jesus, pois entende-se que ele já era “o cara”. Já no pensamento iniciático, vemos autores que colocam Maria como a grande iniciadora do grande iniciador da humanidade, a educadora dele; até porque sabemos que na cultura judaica da época cabia a mulher a educação dos filhos. Então, aqui, Maria já estaria consciente, antes mesmo de Jesus, sobre sua identidade. Para mim, se Ele veio para ser o modelo de ser humano, faz mais sentido o desmaio da consciência também ter acontecido na encarnação e, aos poucos, pelos processos de iniciação, a consciência Crística ser rememorada.

Importante destacar que não estou dizendo que alguns autores publicam inverdades ou estão errados, pois todo trabalho mediúnico sofre a influência de seu tempo e cultura. Outro ponto trazido pelos autores em relação à falta de consenso sobre esse tema é que isso não ocorre apenas entre os encarnados que escreveram sobre Jesus, mas também no plano espiritual. Veja essa citação de Emmanuel:

“As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendizado dos Espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem as opiniões contraditórias da humanidade, a respeito do Salvador de todas as criaturas.”

Xavier, Francisco Cândido / Emmanuel. A caminho da Luz. Federação Espírita Brasileira, Brasília, 1939, Pág. 98.

De quatro dos autores que estamos estudando na bibliografia deste curso, destaco aqui a diferentes visões sobre essa questão da consciência de Jesus:

Ramatis Emmanuel Spencer Lewis Yogananda
Espírito adormecido até os 7 anos de idade. Aos 10 anos já estava tinindo. “Desde os seus primeiros dias na Terra, mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o planeta lhe concedeu” Foi educado por pais essênios, num contexto essênio. O espírito vai despertando no corpo.
Tinha nos Essênios a sua “embaixada espiritual”, o “adubo” moral necessário para semear o Evangelho. Conhecia os Essênios, mas “não necessitou de sua contribuição”. Foi iniciado como Essênio e graduado como Mestre da Grande Fraternidade Branca. Milagres na infância e releitura do Evangelho da Infância, “de Tomé” a partir da cultura do símbolo.
Usa técnicas terapêuticas dos Essênios, mas faz as obras pelo seu espírito. Estuda no Oriente (Índia) e tem sua iniciação Crística na grande pirâmide no Egito. Confirma a estadia na Índia e Tibet. Seu estágio nas escolas apenas o ajuda a dar forma ao que já havia dentro dele.

Quem está certo? Onde está a verdade?
O consenso está dentro, não fora.

Na minha visão, o caminho é a redescoberta do espírito de Jesus em nosso interior, onde as opiniões são menos importantes que as atitudes que esse conhecimento gera na nossa vida. Todas as visões se complementam e divergem ao mesmo tempo, a verdade está um pouquinho no prisma de cada um.

Este é um assunto profundo que abordo com muito mais detalhes na aula #6 do curso Yeshua, e convido você a assistir. Aqui, para finalizar, deixo uma citação de Yogananda, pensamento com o qual muito me alinho nesta questão:

“Para a prova absoluta da verdade se requer mais do que a racional dos pedantes, as orações de fé dos eclesiásticos, a prova científica de investigadores dedicados; a derradeira validação de qualquer doutrina reside na autêntica experiência pessoal daqueles que entram em contato com a Realidade Única. A diversidade de opiniões em assuntos religiosos persistirá indubitavelmente enquanto as multidões ainda carecerem de tal qualificação. Não obstante, Deus deve apreciar a heterogênea miscelânea de Sua família humana, já que não Se deu ao trabalho de escrever claras orientações através dos céus para todos pudessem igualmente vê-las e concordar em segui-las.”

YOGANANDA, Paramahansa. A Segunda Vinda de Cristo, A Ressurreição do Cristo Interior. Comentário Revelador dos Ensinamentos Originais de Jesus. Vol. I. Editora Self, 2017, pág. 78.

ASSISTA A AULA COMPLETA 

Artigos relacionados

Respostas