Capitalismo e Ecologia: Dicotomias para um mundo novo

Ano passado, na época da Black Friday, apresentei uma aula e um artigo, aqui no Círculo, sobre consumismo, que tem tudo a ver com a questão ecológica, afinal, estamos falando de um comportamento social que pressupõe excessos e desperdícios. Comentei no vídeo que estamos sempre recebendo estímulos de consumo advindos da mídia, redes sociais e do nosso próprio círculo social. A questão é que o nosso mundo foi construído a partir dos alicerces do produtivismo, acumulação e desigualdade social – traços muito fortes do sistema capitalista em que vivemos – e que não estão alinhados a um pensamento que integra a Ecologia a este momento da transição planetária.

Recentemente, o Papa Francisco – sim, o Papa!! – reconheceu que o atual sistema econômico não conseguirá solucionar os problemas da humanidade, principalmente diante das questões sociais. Os números mostram isso facilmente. Segundo dados da Oxfam (2022), as 20 pessoas mais ricas do Brasil têm mais riqueza (US$ 121 bilhões) do que 128 milhões de brasileiros (60% da população). O mundo nunca foi tão rico, mas a quantidade de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza só aumenta.

Walter Benjamin, sociólogo do século XX, já nos alertava da relação destruidora do capitalismo com a natureza. E, cada vez mais, a partir do autoconhecimento e resgate de tradições ancestrais (a exemplo da bruxaria e o sincronário das 13 luas), fica claro que o ser humano está conectado com o seu entorno ambiental e depende da natureza para sobreviver. O que nos leva a entender que o atual sistema é incompatível com o equilíbrio ecológico e a sustentabilidade social – aliás, para quem desejar se aprofundar mais neste assunto, recomendo o livro “Ideias para Adiar o Fim do Mundo” (2019) de Ailton Krenak.

A palavra Ecologia significa, do grego oikos = casa, e logos = estudo. Originalmente é um campo da biologia que estuda a integração e impactos de seres vivos com a natureza, só que nos dias atuais tem-se usado muito esta palavra para indicar uma linha de raciocínio. Na transição planetária, nossa lógica precisa ser voltada à nossa casa, ao planeta Terra, que pede atenção e cuidado. O primeiro passo é compreender as nossas reais necessidades como sociedade.

  • Será que a minha existência fere a natureza e/ou o outro?

  • Será que nosso atual sistema econômico é o melhor caminho para a Nova Terra que desejamos construir para as próximas gerações?

Deixo estes questionamentos como proposta de uma reflexão profunda para que cada um possa olhar para seu modo de vida, sua atuação no planeta e na sociedade.

Ana Carolinna Gimenez


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