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Como conciliar psicologia e espiritualidade?

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Quem responde é o Psicólogo e Psicanalista Clínico, Raphael Mello, que desde criança lida com naturalidade com os fenômenos mediúnicos. Para ele, aliar a psicologia com a espiritualidade é fundamental para olhar e tratar o ser humano em sua totalidade.

CÍRCULO – Como você identifica, no consultório, o que é espiritual e o que é psicológico?

Raphael Mello – O primeiro ponto é a busca pelo meu autoconhecimento durante todos esses anos para que eu pudesse me tornar um psicólogo e também uma pessoa espiritualizada.  O que não acaba nunca é uma jornada eterna, mas me dá uma sutilidade de olhar para o outro porque eu conheço muito meu mundo interno, através da minha terapia e da minha busca espiritual.

A verdade é que a espiritualidade está super ligada à psicologia, o próprio Jung já dizia isso, e os médicos não têm no currículo essa capacidade de investiga a psique humana junto com a espiritualidade.

Quando um paciente chega para mim com alguma demanda espiritual, o ideal é investigar toda a vida dessa pessoa e se dentro de uma questão genética ou hereditariedade possui alguma doença que permita com que ela tenha delírios como uma esquizofrenia ou até a própria Psicose, onde todos os conteúdos agressivos têm uma linha muito tênue entre o que é real e o que é simbólico.

Todo psicólogo primeiro tem que fazer uma investigação dessa psique humana e entender como funciona essa questão da família, se houve uma fragmentação do Ego, algum trauma, ou patologia que possa fazer com que haja uma confusão entre o que é a espiritualidade e o que são os delírios de uma doença.

A investigação é contínua. Dento do meu consultório eu aplico algumas técnicas como o Reiki e a Apometria Quântica.

CÍRCULO – Ao longo do tratamento você percebe diferença entre o tratamento psicológico puro e o tratamento psicológico associado às técnicas transcendentais?

Raphael Mello – Eu acredito que não há necessariamente uma total diferença. A espiritualidade e a psique caminham juntas. Quando a gente tira a espiritualidade, ou explui a psicologia ou psiquiatria, a gente acaba não vendo o ser humano numa totalidade.

Passamos a vê-lo como fragmento e somos sou todos seres multidimensionais. Então a gente tem que entender que dentro da nossa mente existem lâminas que sofrem influências de uma vida passada.

CIRCULO – Nem todo mundo chega ao consultório com consciência dessas dimensões. É possível observar uma melhora mais rápida do paciente quando ele está disposto a tratar todas essas dimensões?

Raphael Mello – Com certeza, pois como a espiritualidade e a psicologia caminham juntas. Quando a gente faz a sessão de terapia, em que o paciente tem que como elaborar as questões familiares, traumas e entender um pouco da historia deles, que a princípio está inconsciente, com terapias como Reiki e Apometria você coloca o paciente num nível mais sutil e ele entra em contato com algo muito mais profundo, fragmentos, realidades paralelas, imagens simbólicas, vidas passadas, e assim ele pode fazer um alinhamento dos chacras e entender que às vezes algumas questões físicas, como uma dor no estômago, tem a ver com o plexo solar ou então um acúmulo de raiva.

CIRCULO – Você acha que o Ego pode atrapalhar a vivência mediúnica?

Raphael Mello – Sim, acho que o ego atrapalha a vivência mediúnica quando não se tem uma estrutura, quando não une autoconhecimento com a mediunidade e passa a desenvolver o que a gente chama de um Ego Espiritual. Esse Ego Espiritual é o que leva o ser humano a um nível de grandeza, a uma sensação de sou maior do que os outros, posso salvar as pessoas, mas esquece de salvar a si mesmo em primeiro lugar. O Ego Espiritual é uma estrutura onde deveria haver uma humildade a e não uma necessidade de um reconhecimento.

O Ego Espiritual pode confundir o indivíduo a achar que ele é um Deus. Isso um delírio de grandeza, pois ao invés de acessar a própria essência e realizar a missão que tem na Terra, ajudar o próximo ou se ajudar, ele acaba confundindo os outros e a si mesmo.

Nesse caso, o autoconhecimento é uma das principais ferramentas que a gente tem e a terapia ela possibilita que você conheça a sua história, entenda o que trabalha no seu inconsciente e te dá uma base de individuação.

CIRCULO – Você teria alguma dica de como trabalhar a diferença entre o que é espiritual e o que é da psique?

Raphael Mello – O primeiro passo é a busca por uma terapia, ela vai te dar estrutura. Como eu disse, o processo de individuação, é você saber quem é você, o que você tem em essência, e com base nisso você pode se virar para o mundo e começará a olhar a sua interação, como funciona a sua alma o que ela pede, e conciliar a terapia com um centro espírita ou algo que te leve ao conhecimento maior da sua multidimensionalidade.

Não é fácil separar o que é espiritual do que estou vendo e sentindo, porque nossa mente é composta por angústias, medos, e a gente tem sensações muito parecidas quando está lidando com alguma energia que é muito pesada, um ambiente que não é favorável para nossa energia.

A terapia é importante justamente porque quando você se individua, automaticamente programa o seu Ego e estrutura a psique para saber que o que está sentindo é seu e tem ferramentas para lidar com o que não é. Quando a gente exclui a espiritualidade da psique, a gente não vê o ser humano na sua totalidade.

CIRCULO – Como você lida com psicologia e espiritualidade na sua vida?

Raphael Mello – A minha mediunidade vem da infância, minha família sempre trabalhou o lado espiritual e isso nunca foi um tabu. Mas quando eu tinha 17 anos e iniciei a faculdade, lembro de entrar no laboratório de anatomia, ver uma pessoa num canto da sala e não entender o que era. Ao abrir o tanque de formol, onde tinham vários corpos, eu vi essa mulher dentro do tanque. Quando voltei para casa, a primeira pergunta da minha mãe foi: Onde você foi? Quem é essa mulher atrás de você?

Não foi fácil lidar com isso, porque foram várias situações até que eu pudesse entender o que estava efetivamente acontecendo comigo. E a terapia me ajudou a estruturar primeiro quem eu era. Porque quando você começa a desenvolver a mediunidade você confunde o que é real com o que é conteúdo desestruturado do Ego, que pode ser esquizofrenia.

Hoje, a gente tem uma demanda a de autoajuda muito grande e pessoas que se denominam salvadores fazem treinamentos que deixam as pessoas completamente expostas psiquicamente, e sem uma estrutura para lidar com essa exposição.

Somos seres humanos, temos instintos primitivos e um dos nossos instintos principais é a raiva, que quando canalizada de uma forma positiva movimenta a vida. Mas se você só sente amor, pode reprimir um instinto que é básico e primitivo, como a raiva, que é o que traz movimento na vida. Tenho alguns casos de pacientes que não deram conta de uma estrutura psíquica e foram viver fora de São Paulo, com certa pobreza espiritual, psíquica e também física e, por não entrar em contato com essas questões mais profundas do Ego, por acharem que a vida é só gratidão, amor, olhar para o divino tempo todo, acabam esquecendo que também somos divinos. A gente não tem que olhar só para cima, mas olhar para dentro.

 


A prática de um psicólogo espiritualista

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