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Como entender nossa forma de consumo

O ato de consumir é inerente ao ser humano. Nossa existência depende do consumo de água, comida, energia, bens materiais e até mesmo de experiências. Por definição, a palavra consumo significa gastar, corroer, devorar ou destruir alguma coisa até o fim. 

Na sociedade em que vivemos o consumo está diretamente atrelado à compra. Por isso, logo associamos essa palavra ao que compramos. Porém, atualmente, o consumo está para além da simples satisfação de necessidades básicas, ligado aos desejos e à nossa própria identidade. É através das nossas práticas de consumo que dizemos para o mundo quem somos, o que gostamos e qual é o nosso estilo de vida.

Neste período de final de ano e Black Friday, convido você para uma reflexão sobre o conceito de consumismo, que é quando o consumo está descontrolado e nos afastamos de quem somos em função disso. 

Para entender melhor isso precisamos voltar para a década de 1950, nos Estados Unidos. Naquela época, viu-se um enorme potencial no consumo como maneira de reaquecer a economia norte-americana durante o período pós-guerra, através da produção de coisas baratas em grande escala. Isso também foi uma oportunidade para a indústria de publicidade e bancos, que facilitaram o acesso ao crédito. 

Foi então construído um imaginário coletivo em torno da ideia do “american way of life” (estilo de vida americano), que trazia uma lista de coisas que você precisava TER para ser reconhecido como uma pessoa bem de vida, tais como uma casa confortável, eletrodomésticos, roupas de lojas de departamento, entre outras milhares de coisas. O famoso TER para SER.

Durante muito tempo se estimulou um comportamento de compra que contemplava a construção de uma identidade a partir dos objetos. E como isso deu muito certo, devido à globalização, a economia atual cada vez mais foi se apoiando nesse paradigma, porque ele é muito lucrativo. 

O consumo é lucrativo para quem?

Hoje, cerca de 30% da população brasileira tem renda de até ¼ do salário mínimo brasileiro, segundo dados do IBGE (2021). Somos estimulados a ter muito, a sermos consumistas, mesmo vivendo numa realidade onde falta o básico para muitas pessoas. O consumismo é justamente a ação de comprar excessivamente e sem necessidade. Sem entender muito bem o porquê você está comprando. 

O filósofo Zygmunt Bauman explica que vivemos numa era em que basicamente corremos atrás do próprio rabo o tempo todo, numa sensação de “infindalidade” do nosso indivíduo, que acaba encontrando no consumo uma maneira de se expressar. Os objetos nos definem e a gente procura neles liberdade e segurança. Afinal, somos movidos pela necessidade de aprovação social e pertencimento.

É difícil negar que o universo do consumismo traz alguns benefícios como bem-estar material, melhor saúde, informação e comunicação… Mas a gente acaba vivendo num constante estado de frustração, autodesqualificação e fracasso pessoal. Porque o tempo todo tem alguém falando que falta algo na nossa vida. 

Hermetismo para entender a falta e o excesso 

Aqui faço uma conexão com o Hermetismo. O princípio da polaridade, na filosofia hermética, diz que tudo tem polos e que os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau.  E qual o polo oposto do consumismo? O não-consumo.

Numa ponta, consumimos demais, em excesso. E acabo não me preocupando com a qualidade daquilo que compro, apenas em ter cada vez mais.  Já na outra ponta, temos uma realidade que é muito precária, onde há falta. Por isso, muitas vezes, temos medo de ir para o outro polo. Temos medo da falta, de deixar uma oportunidade passar. E acontece o desequilíbrio. 

O grande objetivo do princípio de polaridade é a reconciliação dos opostos. Na natureza também existe consumo, mas nela nada falta e nada sobra. Existe um equilíbrio. Esse é o conceito de perfeição de Aristóteles. 

Minimalismo: nem falta, nem excesso

Algumas pessoas já começaram a tentar reconciliar esses dois polos através de um movimento mundialmente conhecido como Minimalismo, que questiona a ideia de que é necessário viver com muito para ser feliz. Mas também entendem que não é preciso viver na falta.

No documentário “Minimalismo Já” (The Minimalists: Less is Now), disponível na Netflix, os amigos Joshua Millburn e Ryan Nicodemus contam um pouco sobre o que é o minimalismo e como esse movimento impacta a vida deles. Minimalismo é sobre autoconhecimento e entender o que realmente importa na sua vida. O foco é otimizar o consumo, comprando o necessário e aproveitando de maneira sábia os recursos e o momento presente.

Foto Divulgação Documentário Minimalismo Já


Para ficar um pouco mais claro vou fazer uma relação com outros dois princípios herméticos: vibração e ritmo. O princípio da vibração diz que a nossa própria vibração é uma consequência social do que somos. Logo, se eu vibro na frequência do consumismo, isso vai afetar tudo à minha volta. E o princípio de ritmo é uma consequência das leis de polaridade e vibração. 

Quando entendo qual é a vibração que quero atingir e emanar, tudo fica mais fácil de conciliar. A questão é que para conciliar os opostos é preciso de uma coisinha mágica chamada “autoconhecimento”. 

Se eu não tenho ideia do que estou fazendo com a minha vida, se vivo compulsivamente comprando, serei dominado pelos impulsos externos que me dizem para ser alguém que vive no polo consumista. Ao passo que se entro numa vibe de ”não-consumo”, não comprar absolutamente nada, estarei vibrando no polo oposto e também extremista. Entende?

A proposta do consumo consciente do minimalismo é justamente entender quem somos, porque compramos, o que nos faz suficiente para além das coisas que compramos. A vibe é muito mais o porquê do que o como.

Nossa sociedade é um reflexo de quem somos. E para encerrar com mais um princípio hermético, temos a Correspondência, que diz: Aquilo que está em cima é como o que está embaixo, e aquilo que está embaixo, é como o que está em cima.

Portanto, se vivemos numa sociedade que nos diz que somos insuficientes, é porque internamente a gente toma isso como uma verdade absoluta. Você quer mudar o sistema? O governo? Então, começa por você mesmo. A sua vibração é o que conduz a sua vida. O seu consumo também é uma forma de expansão de consciência.


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