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Como funcionam os hábitos

Apesar da gente achar que tem controle das situações, na verdade, muitas das nossas decisões e comportamentos são automáticos.

Você já se pegou pensando no dia em que tudo na sua vida vai mudar como num passe de mágica? E o que está fazendo hoje para esse dia chegar? Muitas das nossas frustrações quando percebemos que esse dia mágico não chega vêm dos nossos hábitos. Segundo Charles Duhigg, pesquisador e autor de O Poder do Hábito, o ser humano vive de hábitos, nós somos condicionados por esses padrões de repetição. 

Um estudo descobriu que só 60% de todas as decisões que a gente toma diariamente são realmente decisões. Os outros 40% são hábitos. Isso quer dizer que quase metade de todas as nossas decisões funcionam em uma espécie de piloto automático. Conforme a neurociência vem descobrindo, isso é uma maneira que o cérebro encontra de economizar energia. 

Mesmo tarefas complicadas, que exigem muita concentração no começo, como dirigir, por exemplo, depois de um tempo se tornam simples e requerem um mínimo esforço. Por isso, entender o que são os hábitos e como eles funcionam pode ser fator determinante para mudar nossa vida. 

A autossabotagem mais comum, por exemplo, é a procrastinação, porque é a mais fácil da gente racionalizar pois não verbalizamos aquilo que a gente não quer fazer. A gente fala que vai fazer amanhã, semana que vem, no começo do ano… E esse dia, às vezes, nunca chega. 

Até que ponto sua rotina está sendo governada por você, de acordo com a sua identidade? Você tem essa clareza? 

No meu caso, considero que os passos mais largos que dei rumo à expansão da consciência foram justamente nos momentos em que a resistência interna era enorme. Programar uma mudança de carreira, parar de fumar, adquirir o hábito de leitura, ter mais autocontrole, aprender a dar aula… Tudo isso foi muito difícil para mim, mas, olhando agora, foi melhor ter encarado de frente as resistências e as dificuldades.

Quais foram os momentos mais desafiadores da sua vida? Quais geraram maior resistência? Quais deixaram (ou deixam) você com mais medo? 

Eu mudei de carreira, aprendi a dar aula, parei de fumar, desenvolvi autocontrole. 

Poderia não ter feito nada disso para não sair da zona de conforto ou adiar uma recompensa imediata em favor de uma de mais longo prazo. E você, sabe quais são as suas resistências? Sabe o que precisa mudar, mas fica adiando? 

Talvez você não tenha clareza do que exatamente atrapalha.
Talvez você tenha clareza, mas acredita que nasceu assim, não dá para mudar..
Talvez você queira mudar, mas não sabe como..
Talvez você esteja se perguntando.. Mas o que isso tem a ver com hábito?
Têm tudo a ver… 

Qualquer pessoa se beneficia de ter consciência dos hábitos que reproduz para direcionar melhor os pensamentos, as ações e a energia. Mas como ancorar essa identidade? 

A gente ancora a nossa identidade mudando aquilo que faz. Essa é a verdadeira mudança. O filósofo contemporâneo Zygmunt Baumann fala no livro “Modernidade Líquida” que “ok, muito se fala de não substituir o TER pelo SER, e isso é importante. Mas é igualmente importante não substituir o FAZER pelo SER”. Ou seja, o fazer deveria ser uma extensão do ser. Essas duas instâncias deveriam co-emergir na nossa realidade.

Cada vez que a gente pratica um pequeno hábito é como se estivesse depositando um voto a favor dessa identidade. E o contrário também acontece. A boa notícia é que não é um tipo de eleição que tem que vencer perfeitamente, com unanimidade, basta ter a maioria dos votos. 

Independentemente de saber o que está fazendo ou não, atitudes ou padrões que se tornaram hábitos são automatizados em nossa vida. Esse é o poder do hábito. Vários pequenos hábitos influenciam de uma maneira intensa a forma que a gente vive e se relaciona com o mundo.

Um hábito positivo geralmente leva a outro positivo, que leva a outro e isso forma uma cadeia, um conjunto de hábitos que mudam realmente a vida. Com os hábitos prejudiciais, a mesma coisa…

Somos tão guiados por hábitos que as grandes corporações manipulam esses costumes

A partir de dados sobre os hábitos de consumo das pessoas, as empresas conseguem prever novas atitudes e tendências. Compramos mais por hábito do que por necessidade, e com esses dados as empresas conseguem personalizar seus pacotes de produtos e serviços para fazer deles um hábito na nossa vida.

Pelas suas compras anteriores, idade, sexo, quantidade que compra, enfim, todos os dados que conseguem a partir de cada compra, podem identificar as tendências futuras e o grupo de pessoas com tendência a criar hábitos similares. Imagina o poder que essas empresas que detém a informação conseguem ter. 

Hábito X Rotina

Outra coisa importante é que o hábito é um pouco diferente de rotina, apesar de ter relação por conta da repetição. Mas veja, eu posso ter uma rotina de morar cada mês num lugar ou uma rotina aberta, onde não tenho exatamente tudo igual para fazer. Mas aonde quer que eu esteja, posso me alimentar bem, me exercitar, estudar, ler, posso ter o hábito de tratar bem as pessoas, de contar até 10 antes de fofocar ou falar mal de alguém.

Os hábitos também são diferentes de metas

Eles são o caminho até alguma meta. Por exemplo, a meta de perder peso, o que vai  diferenciar a pessoa que atinge a meta de emagrecer da pessoa que não consegue são os hábitos de alimentação e a estratégia de cada uma. O propósito da meta é ganhar o jogo, o propósito dos hábitos é fazer a gente jogar o jogo todos os dias. Nossa tendência é negligenciar o dia a dia mantendo a atenção na meta.

E como criar ou mudar um hábito? Um estudo feito em 2009 provou que era muito mais fácil as pessoas que anotavam todos os alimentos que elas comiam durante o dia atingirem a meta de emagrecimento do que as pessoas que não faziam isso. Os que tinham diário de alimentação perderam o dobro do peso das outras pessoas que não fizeram o diário. Ou seja, é mais fácil mudar quando a gente tem clareza dos próprios hábitos. 

A força de vontade é importante? Sim, muito. Os cientistas que estudam o hábito viram que a força de vontade tem um impacto muito maior nessa mudança de hábitos do que simplesmente a inteligência do indivíduo. Eles viram que os hábitos não dependem da inteligência racional, e sim do autocontrole emocional. 

Qual a chave? Começar com pequenos hábitos, escolher um ou dois no máximo, um hábito de atividade e outro hábito de pensamento, por exemplo, e programar uma mudança possível, sem pressa. Pequenas sensações de sucesso fazem a gente acreditar que conquistar a mudança em outras esferas da vida também é possível. Mudar ou criar hábitos é difícil no começo porque leva tempo até que ele se instale de maneira automática nos gânglios basais. 

Simone Abate


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Respostas

  1. Parabéns Simone e equipe Círculo. Amei a aula. Aprendi muito. Grata ❤️

    P.s: amo as vinhetas de início e fim de aulas, não consigo pular , vejo e ouço sempre!!!! São sensacionais!!!