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É hora de ressignificar o Cristianismo?

imagem de bíblia e rosário do cristianismo

O maior desejo de Jesus era a unidade. O amor é o caminho.

Comecei a ler o Livro Completo de Bruxaria, de Raymond Buckland, que foi um cara da Inglaterra que levou a bruxaria para os Estados Unidos. A obra é ótima e traz uma visão muito interessante das formas antigas de expressão e contato com o divino, mitos sobre a integração com a lua e os ciclos do ano, sobre o quanto masculino e feminino são forças complementares. De imediato, senti uma simpatia e afinidade com o autor. E, certo dia, em um Diário Espiritual, recebi uma mensagem psicografada assinada por ele.

Primícias do mistério cósmico maior

O cristianismo precisa transcender-se si mesmo e se descobrir, não como uma doutrina eclesiástica partidária, mas como primícias do mistério cósmico maior que se deixara conhecer a esta geração.

A comunhão do Filho com o Pai e do Pai com o Filho simboliza a verdade de que os pequenos hábitos que comungamos diariamente enquanto família humana nos faz habitar uns nos outros. À medida que amamos e valorizamos os sentimentos que partilhamos, nos tornamos imortais uns para os outros e, nesse sentido, a morte de um é a morte de todos, a vida de um é a vida de todos.

Descobrimos nossa natureza eterna, habitamos o templo interior uns dos outros. Descortinamos a consciência, que jazia na ignorância, um mais amplo sentido de comunhão e comunidade a um só tempo no eterno que nos contém.

Raymond Buckland

Para mim, esse texto ressignifica o cristianismo.

Ele começa falando em “transcender-se a si mesmo”, ir além da sua atual expressão. Sabemos da deturpação histórica criada pelo entrelaçamento entre o Império Romano e o cristianismo com a fundação da Igreja Católica Apostólica Romana. E como isso foi prejudicial ao desenvolvimento do que é a verdade mais pura.

Quando Buckland diz que a cristianismo precisa se descobrir não como doutrina “partidária”, nem como uma religião que se considera melhor ou que tem a verdade, significa que precisamos passar para além dessa noção de ser o depósito da verdade. Na minha opinião, essa psicografia traz a essência do cristianismo e dos ensinamentos do Cristo.

Qual era ao maior desejo de Jesus e da sua mensagem? O amor?

Não, o amor era o maior mandamento de Jesus.

O maior desejo de Jesus está registrado pelo apóstolo que mais o amou, João, que na sua oração antes de ir para a cruz do calvário diz: “Pai, o meu maior desejo é que todos sejam um como eu e tu somos um”.

O maior desejo de Jesus era a unidade. O amor é o caminho.

Quando Buckland fala em “nos tornamos imortais uns para os outros”, lembro muito do meu avô, que faleceu em 2004. Fazia muito tempo que não desencarnava ninguém da família. Ele era uma pessoa incrível que eu e meu irmão convivemos muito, moramos juntos e dormíamos no mesmo quarto por um tempo. Foi um choque quando ele teve uma parada cardíaca, de repente, dentro de casa. Um impacto muito duro.

Mas meu avô continua morando dentro de mim. Assim como minha avó, que também já desencarnou. E o melhor deles vive em cada um da nossa família. Isso é a essência do cristianismo, do projeto de Jesus, que todos sejam um com o Pai.

Portanto, quando exerço o real poder, que é a capacidade de colaborar para que o outro também realize seu potencial, estou entregando minha maior riqueza.

Quando percebemos que habitamos uns aos outros, e que à medida que nossa história cruza a história de outras pessoas, e a ilusão da separatividade é menor, nos vemos um pouco mais unos. Quanto mais vamos rompendo essa barreira, mais cruzamos essa consciência de que um pouco de nós ficou na pessoa e um pouco dela ficou em nós.

E, para todos que estão interessados em ressignificar o cristianismo, as perguntas são:

  • O que de você está ficando no outro? E o que do outro você tem carregado?
  • O que de você habita o outro? E o que de você é digno de habitar o outro?
  • O que você tem entregado ao outro quando suas vidas se cruzam nessa existência?
  • Qual tem sido seu exercício de poder? Doutrinário? Partidário? Ou de contribuição e colaboração para que o outro também evolua?
  • Quando uma vida humana toca outra vida humana, o que você está entregando para essa pessoa?

Estamos em constante descortinar do próprio limite, que parece nos definir e nos delinear.

Na medida em que avançamos a compressão sobre o que é unidade, mais percebemos que esse perímetro que nos contém e nos isola em singularidades é apenas uma arranjo da consciência, para que possamos experimentar a singularidade.

A singularidade tem a função de estabelecer um contrato para que a consciência compreenda o que é unidade. E começamos a integrar o grande mistério de que eu moro dentro do Deus que mora dentro de mim.

Abraço grande,

Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati


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