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Espiritualidade na política?

Espiritualidade e política são duas palavras que soam divergentes. Mas um grupo de pessoas está propondo colocar o tema em pauta. Maurício Paulo é advogado voluntário na Educafro, uma associação civil sem fins lucrativos, em São Paulo, e quer levar o assunto para debate na entidade, que atua na educação para jovens negros de baixa renda. 

Maurício explica a ideia do projeto Espiritualidade na Política:

“Queremos fazer um resgate do que significa essencialmente a política, a partir do conceito de Platão, em que a política seria exercida por homens sábios e justos”.

Ainda em fase de planejamento, o projeto deve começar na forma de debates nos núcleos da Educafro no Brasil. Maurício reforça que, apesar de delicado, o tema precisa ser falado. “Se a gente não ocupar esse espaço, alguém vai ocupar. Precisamos desenvolver novas gerações com um conceito mais amplo de política”.

Frei David, Presidente da Educafro.

A proposta foi aceita pelo presidente da Educafro, Frei David. “Uma política límpida é uma política do agir para transformar, para gerar igualdade, inclusão e um mundo novo. A espiritualidade na política foi justamente o que fez o nosso querido São Francisco de Assis. Foi um homem político que soube negociar uma igreja, com as autoridades e com seu pai. A espiritualidade da política é ter a capacidade de colocar em prática ferramentas das mais leves até as mais decisivas”, afirma.  

O Frei destaca que recebeu com alegria o projeto, que também vai estimular a espiritualidade livre e o debate inter-religioso. “Espiritualidade é a boa energia que move todo o ser humano para sentir e agir a partir de Deus, em todo e qualquer ambiente. O diálogo inter-religioso é uma maneira de reconstituir a unidade de Deus no amor, na compreensão, no respeito e no convívio. É acreditar que Deus se manifesta através de cada cultura”, pondera. 

DEFESA DA COTAS – Por atuar essencialmente com a oferta de educação para jovens negros, no momento, a Educafro também busca apoio da sociedade contra o Projeto de Lei Complementar 134/2019, que trata da Lei da Filantropia e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). O advogado Maurício e Frei David apontam, em especial, o ponto do PLC que proíbe a utilização de critérios étnicos na concessão de bolsas em instituições filantrópicas privadas. Para eles, isso compromete a política de cotas raciais que favoreceu o acesso da juventude negra ao ensino. O PLC foi aprovado na Câmara de Deputados em 28 de novembro e agora segue para o Senado.  

“Para nós, negros, o PLC 134/2019 é um assalto ao direito do povo brasileiro. Lutamos para que o projeto seja suspenso, arquivado e que se discuta um novo projeto, levando em consideração todo o sonho de um povo que quer ser incluído no ensino”, argumenta Frei David. 

Frei David com integrantes da Educafro.

Para saber mais sobre o trabalho da Educafro, acesse: www.educafro.org.br

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