Mergulho no Acervo do General Uchôa

Desde 2016, quando Juliano Pozati recebeu as primeiras fitas K7 de palestras gravadas do  General Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, começou o Projeto Acervo do General Uchôa, com a proposta de eternizar o legado do General das Estrelas. Com a fundação do Círculo, em 2017, isso se transformou em uma missão confiada à escola, já que o General é também nosso patrono espiritual e segue seu trabalho, mesmo que de outra dimensão. 

Hoje sabemos que são mais de 600 documentos, desde manuscritos, recortes de jornal, cartas, prospectos de eventos, palestras, produção intelectual, fitas k7 e VHS.  Tudo começou com os primeiros áudios em formato de fitas K7, devidamente restauradas, digitalizadas, transcritas e disponibilizadas no site, hoje com nome de StarTape Projetc.

Mas foi apenas em 2021 que o trabalho chegou em uma nova etapa. Eu tive a honra de ser contratada pelo Círculo como historiadora responsável e demos início a higienização, organização, catalogação, digitalização, pesquisa e acesso público aos documentos. Vamos ver um pouco dessa história.

O que guarda o acervo do General Uchôa?

Entre os documentos catalogados, além dos áudios de palestras e de vigílias ufológicas, o acervo possui manuscritos de estudos, de palestras, desenhos, poesias, psicografias, correspondências, documentos pessoais de participação em eventos, recortes de jornais e revistas, sendo tanto matérias sobre o próprio General, como coleção de assuntos do seu interesse.

A energia de um acervo

Ao manusear um documento de acervo estamos também trabalhando com a energia do passado, de pessoas e situações que envolvem aquele contexto. Durante minha trajetória profissional tive experiências de lidar com outros documentos históricos e sentir energias muito densas. 

Com os documentos do General, é diferente, a energia é e foi em todo o período de total sublimação. A cada passo do trabalho é como se eu entrasse em um estado meditativo com muita emoção, em uma fusão de profissional, pesquisadora e ser espiritual. Mexer no documento original proporciona o contato com as energias de quem os manuseou ou produziu. Normalmente, as instituições, centros de memórias, museus e afins que trabalham com a organização e a guarda documental, não vão se preocupar com isso, mas, aqui no Círculo, temos a liberdade de falar abertamente sobre isso.

Qual é a importância de um acervo histórico?

A principal meta deste trabalho foi tornar essa documentação organizada e disponível para difusão e pesquisa, dar acesso público ao legado do General, além de preservar sua memória para as gerações futuras. 

O General acumulou grande volume documental de estudos na área ufológica, parapsicológica e científica no geral. Organizamos tudo com o intuito de facilitar a vida de quem for utilizá-lo como fonte de pesquisa. Sem o trabalho com documentos antigos e artefatos arqueológicos, muito da nossa história teria se perdido.

Minha jornada como historiadora com o acervo do General 

Se tem algo que gosto na minha profissão é ficar mergulhada em documentos, lendo, cuidando e conectando fatos para criar narrativas. Como estamos falando de um material complexo e bastante extenso, foi preciso um cuidado minucioso no Acervo do General.  

Para dar início aos trabalhos, tive que fazer um planejamento para definir detalhes importantes como o tipo de material em que o acervo seria acondicionado (pastas, caixas, etc.), para combinar com o local e espaço onde os documentos seriam guardados permanentemente, levando em consideração a iluminação, temperatura e umidade que os documentos estariam expostos no futuro, para garantir o menor dano físico ocasionado pelo ambiente ao longo do tempo. 

Depois, uma avaliação aproximada da quantidade de documentos a serem trabalhados, pois só assim poderia se ter uma estimativa do espaço necessário e do tempo previsto para realização do projeto. 

Hoje, temos a facilidade tecnológica de manter um acervo de forma digital, possibilitando manusear o documento original o mínimo possível, pela saúde da sua preservação. Porém, a gente não sabe como vão ser processadas as questões de mudança de tecnologia ao longo do tempo. Você lembra que há poucos anos a gente ainda usava DVDs e hoje as crianças nem sabem mais o que é isso? Não vou nem comentar sobre os disquetes e fitas VHS.

A História está aí para mostrar que nossas tecnologias não são verdades absolutas. E que pelo menos nos últimos 30 anos, passamos por diversas tecnologias de difusão de informações. Por isso, preservar e guardar bem os originais é fundamental, não podemos ter certeza que os arquivos irão continuar abrindo em em seus formatos específicos nas nuvens daqui a 20 ou 30 anos.

Hora de colocar a mão na massa

Na primeira análise geral percebi que a maioria dos documentos estavam em um estado de oxidação médio. Todos passaram então pelo processo de higienização, que é uma limpeza simples para tirar poeira, pequenos insetos no meio das páginas, grampos e clipes enferrujados.

Alguns dos documentos manuscritos estão em estado bem frágil, com o papel desmanchado, o que demandou cuidados especiais no manuseio e na guarda, para que o material original não se deteriorasse ainda mais e dure por mais tempo.   

Certos documentos também precisam ficar em quarentena. Isso serve para a retirada de fungos, que podem acontecer em alguns casos. E não havia nenhum documento que precisasse de restauração. Tudo isso é necessário para que o documento seja protegido de gordura ou sujeira nas mãos, saliva, etc, além de evitar que o profissional inale ou leve à alguma parte do corpo poeira antiga, fungos, insetos ou até veneno. 

Digitalização

Conforme digitalizei um por um, o documento recebeu um número. Na arquivística chamamos isso de notação mas, didaticamente, pode ser comparado a um número de RG.  Este documento passa a ser identificável e essa numeração é a mesma que vai na planilha de catalogação, no documento digital, no documento físico e no acesso público, o que ajuda a localizar ele mais facilmente após a descrição. Feita a digitalização, esses documentos são armazenados em nuvem devidamente identificados e inicia-se o processo de catalogação.

Catalogação em planilha

Cada documento possui uma descrição do assunto geral, data, título, tipo de documento, assunto, estado de conservação original e o link que dá acesso diretamente ao documento de forma digital. Além do armazenamento digital, os originais estão organizados em pastas transparentes sem nenhum tipo de metal, para não haver riscos de oxidação pelo tempo, inseridas em caixas de arquivo de polietileno.

Transcrição

Atualmente, estamos na etapa de transcrição dos manuscritos. Nem sempre a grafia é tão fácil de ler. Com o tempo fui me habituando e é possível identificar se o documento é dele ou não pela grafia, através da personalidade da escrita ou até mesmo quando não há assinatura.

A letra também se modifica dependendo do ano, isso é bem normal. Nossa grafia se altera com o passar dos anos. Como todo documento de arquivo, os manuscritos tem seus desafios, dependendo do tempo em que foi produzido, pode haver perda de informação pela deterioração, de organicidade (sem começo, nem fim), por não estar paginado ou a perda do documento mesmo. A transcrição é super importante porque facilita o acesso à informação e à pesquisa, não perdendo a qualidade e o “mistério” que envolve o documento original. 

Aqui no site do Círculo você pode encontrar regularmente matérias com atualizações sobre o acervo. Já são mais de 480 documentos disponíveis, cada um deles organizados em formato de aulas, totalizando 38 aulas! E dentro do acervo também é possível encontrar um projeto super bacana com áudios do General, também transcritos, chamado StarTape Project. 

Uma aventura atrás da outra

A cada semana encontramos informações mais e mais fascinantes, como várias ramificações do ocultismo em que o General estudou e até mesmo participou. Recentemente, localizamos uma carta de um amigo, redigida em alemão, referindo-se ao General como o “J. A. Hynek brasileiro”, ou seja, o comparando ao grande ufólogo norte- americano. Título para poucos!

A obra do General é viva, permanece sendo de interesse à humanidade, e continua nos auxiliando a esclarecer que não estamos sós no universo e que isso tudo é muito maior em significado. O Acervo é um patrimônio insubstituível e o cuidado é o terreno firme para que os documentos continuem com a missão que o General Uchôa recebeu, em 1968, na Fazenda de Alexânia, de seu mestre:

“Você tem uma missão aqui! Observar, pesquisar, escrever livros e divulgar”. 

E foi o que ele fez até o final de sua encarnação terrestre, e continua fazendo no plano espiritual. Quem conhece a história e a obra do General sabe que não existe a limitação do espaço tempo para fazer acontecer! Ele nos ensinou a nunca parar de buscar, a sermos seres independentes no encontro do conhecimento. O que faz sentido é a busca, e esse é o jeito Nova Terra de unir a ciência às necessidades de pesquisas mais elevadas e menos engessadas.


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