Um olhar para a ufologia casuística

A Ufologia vem ganhando novos capítulos na humanidade, em especial nas últimas décadas em que filmar e fotografar objetos nos céus se tornou algo simples devido a tecnologia. Mesmo não reconhecida como um campo de pesquisa científica, o volume de relatos e pessoas abordando o tema nas mídias sociais contribui para a ampliação da consciência sobre a vida no universo. Dando sequência à série sobre Ufologia no Acervo do General Uchôa, vamos agora abordar a chamada de casuística, que são fatos, relatos e imagens de “objetos voadores não identificados”.

Importante destacar que na linha de pesquisa ufológica do General não havia separação entre ufologia casuística e espiritualista. Para ele, esses fenômenos não podiam ser estudados e entendidos separados da parapsicologia, da realidade multidimensional e de um sentido maior da nossa existência e de todo o universo. Ainda assim, ele acompanhava de perto o que era noticiado na imprensa, como veremos nos recortes de jornal do acervo.

Veja o que o General escreveu, em 1976, sobre a ufologia, em seu livro Mergulho no Hiperespaço, que relata o caso Alexânia, vivido por ele em Goiás:

Será isso fantasia? É evidente que não. A fenomenologia que nos tem envolvido, durante já bastante tempo, nos proporciona a certeza de que, afinal, será esse um dia, pelo menos, um dos caminhos sérios da pesquisa ufológica. Poder-se-ia, portanto, organizar uma investigação em nível mais avançado, sem jamais abdicar da metodologia rigorosamente científica já apresentada e comentada ao longo deste trabalho.” Mergulho no Hiperespaço. pág. 47

Recentemente, foi de grande destaque na imprensa mundial a primeira audiência pública nos Estados Unidos sobre OVNIS em mais de 50 anos, com a projeção dos vídeos até recentemente sigilosos. O assunto agora é tratado como “fenômenos aéreos inexplicáveis” (UAP, na sigla em inglês), nada muito diferente da forma que era tratado há 40 anos, quando o próprio General Uchôa fez esse comentário em um programa de TV:

(…) o assunto ufologia não está lá tão avançado e se estivesse avançado ainda estaria muito atrasado porque a ufologia é atrasada em toda parte. Ninguém sabe nada de ufologia e nos parece uma coisa sem pé nem cabeça, a palavra é essa (….) Porque tem sido aos milhares, às centenas de milhares, as presenças de objetos sobre os céus do mundo. Não aqui nem nos Estados Unidos apenas, nem na Europa apenas, mas no Oriente, na Ásia, na Rússia, ali até muito interessante os discos voadores atrás da Cortina de Ferro e que se vê que a situação é quase a mesma de presença (…) (Transcrição de fita VHS de entrevista à TV Capital Cidade Aberta, em 1978)

A fala na entrevista é de 1978, mas poderia ser atual. Quem busca se informar um pouco sobre o tema sabe que pilotos de avião relatam com frequência avistamentos. Apenas nos últimos dois anos, em especial durante o auge da pandemia mundial de Covid-19, órgãos como NASA e Pentágono, começaram a revelar alguns documentos com esses registros, sem muito alarde.

Segunda Guerra Mundial, um marco nos avistamentos

Apesar de menções à vida extraterrestre acontecerem bem antes do século XX, foi a partir de 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, que os avistamentos começaram a tomar maiores proporções. Casos começaram a ser catalogados e expostos na mídia, marcando o interesse por parte dos Governos e da população sobre o fenômeno.

O Acervo Do General Uchôa traz recortes de jornais e manuscritos com essas pesquisas, trazendo uma perspectiva mais ampla. Como dizia o próprio General: “O que falta é um pouco mais de ousadia, de se arriscar nas hipóteses”.

Esforço em abafar o tema

Com o título “Força Aérea dos Estados Unidos escrevem 1465 páginas para provar que não há discos voadores”, esta matéria publicada no Jornal A Tarde, de 22 de janeiro de 1969, mostra o esforço e investimento ($500 mil dólares) do governo norte-americano em não falar do assunto. Interessante também fazer a relação com a recente notícia do assunto sendo tratado no Congresso Americano.

Nesta outra matéria, do Diário de Notícias, de março de 1969, o texto reforça a intenção de não tornar o assunto de domínio público.

Casos e estudos no Brasil

Neste outro recorte do jornal carioca Diário de Notícias, de 1970, vale a pena conferir as informações passadas à reportagem pelo Prof. Flávio Pereira sobre a ocultação dos fatos pelos governos e projetos famosos como o Blue Book.


O Jornal do Brasil, na edição de 1969, deu espaço para a questão abordando relatos no país desde 1954 e os serviços de investigação da Força Aérea Brasileira.


A ousadia do General Uchôa

Ainda assim, o General Uchôa conseguia espaço para os grandes eventos sobre Ufologia que realizava, com pesquisadores de renome mundial, a exemplo dessa matéria publicada em 1971, sobre Simpósio, presidido por ele na Federação do Comércio de São Paulo.

No próximo texto da série vamos saber o que o Acervo do General nos traz sobre tipologias de naves e diferentes civilizações.


Leia a primeira matéria dessa série:

1 – Ufologia e o legado brasileiro do General Uchôa


Acesse nossa editoria de conteúdo #AcervoUchôa e leia todas as matérias já produzidas sobre o trabalho no Acervo.

Artigos relacionados

Respostas